COC – Centro de Oncologia Campinas

Julho Verde alerta para doenças que mexem também com a autoestima

Campanha nacional de conscientização para prevenção de tumores de cabeça e pescoço, o Julho Verde alerta para o câncer em regiões que implicam perdas significativas de qualidade de vida e comprometimento da autoestima. Como a área abrangida – abaixo do cérebro até a base do pescoço – envolve cavidade oral, faringe, laringe, glândulas salivares, cavidade nasal e seios paranasais, as cirurgias podem causar deformidades.

Cigarro e bebidas alcoólicas são responsáveis por 70% dos tumores dessa região. Outras causas relacionadas à doença são exposição solar e infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), enumera o radio-oncologista Werner Schlupp, do Centro de Oncologia Campinas (COC). O Brasil registra cerca de 41 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço a cada ano.

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E um dado alarmante é o aumento da incidência desses tumores entre os jovens, por conta da infecção pelo HPV, transmitido em ambos os gêneros, por meio da prática do sexo oral desprotegido e de relações sexuais com múltiplos parceiros. “Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 55% dos brasileiros entre 16 e 25 anos de idade estão infectados com HPV e, destes, 38% apresentam um subtipo de alto risco para desenvolver o câncer”, explica Schlupp.

Esses números poderiam ser reduzidos com a adesão à campanha nacional de imunização contra o HPV. “A vacina é gratuita, e também é eficaz na prevenção do câncer de colo de útero. Deve ser tomada antes do início da vida sexual dos jovens. Por meninas entre 9 e 14 anos e meninos de 11 a 14 anos”, orienta.

Sintomas do Câncer de Cabeça e Pescoço

Os sintomas causados pelo câncer de cabeça e pescoço dependem do local acometido e da extensão da doença. A recomendação é que o paciente fique atento ao surgimento de manchas ou feridas persistentes na boca, rouquidão de longa duração, dores de garganta prolongadas, dor de ouvido crônica, sangramento sem motivo na região das gengivas e crescimento de gânglios linfáticos aumentados – também conhecidos como ínguas.

“Um caroço no pescoço que não dói, por exemplo, mas que aumenta de tamanho e permanece por um período maior deve ser investigado. A rouquidão persistente, sem dor de garganta, também precisa de atenção. É comum as pessoas associarem a ausência de dor a um sinal de que está tudo bem, mas isso não é verdade”, lembra o especialista.

Por acometer regiões como boca, laringe e faringe, o câncer de cabeça e pescoço tem a capacidade de impactar aspectos funcionais e estéticos associados à autoestima. “O tratamento contra o câncer pode ser bastante agressivo e até desfigurante, dependendo do tipo de tumor, da região e do estágio em que se encontra. Por isso é importante a realização do diagnóstico em fase precoce da doença, para que o tratamento alcance o melhor resultado com menos sequelas possíveis”, detalha o médico.

“Assim como com todos os cânceres, quanto mais cedo for o diagnóstico, melhores são as chances de recuperação com tratamentos menos invasivos, e menores serão as sequelas. Nessa área de cabeça e pescoço, em particular, existe essa preocupação em buscar caminhos para ofertar a melhor qualidade de vida possível ao paciente”, afirma Schlupp.

O radio-oncologista confirma que há muitas alternativas em uso. São utilizadas as três armas – Cirurgia, Radioterapia e Quimioterapia –, em associação ou isoladamente. Em anos mais recentes, tem desempenhado papel cada vez mais importante a Terapia-Alvo molecular, em que medicamentos combatem moléculas específicas das células tumorais, reduzindo a atividade sobre as células saudáveis e os efeitos colaterais do tratamento.

Impacto no Emocional

Ana Luiza Nobile Cassiani, que realiza atendimentos psico-oncológicos no COC, cita informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para indicar que o câncer de boca, laringe e demais sítios é o segundo mais frequente em homens, atrás somente do câncer de próstata. Pacientes com câncer de cabeça e pescoço podem passar por alterações na fala, acarretando perdas na capacidade de comunicação verbal e, consequentemente, no modo de se expressar.

“A ausência de voz não impossibilita que o paciente seja ouvido em seu sofrimento. Nossa comunicação não é apenas verbal”, salienta a psicóloga. “Nos comunicamos pelas nossas expressões, nossos olhares, pela escrita. Inúmeras são as formas que podemos utilizar com esses pacientes para lhes dar voz. A escuta afetiva é atividade de cuidado”, reforça.

A psicóloga reforça a importância do acompanhamento psico-oncológico para pacientes e familiares que enfrentam a doença.