Câncer de ovário e estômago: em comum, a dificuldade de diagnóstico precoce

Câncer de ovário e estômago: em comum, a dificuldade de diagnóstico precoce

A ciência atesta que descobrir o câncer precocemente é um diferencial no sucesso do tratamento. E o rastreamento, feito por meio de exames regulares, é essencial para a detecção precoce. Ocorre que certos tipos de câncer não possuem protocolo de rastreio estabelecido, o que reduz as chances de iniciar o combate à doença antes mesmo dos sintomas aparecerem. Esses são os casos, por exemplo, dos tumores na cárdia, uma região do estômago, e no ovário, responsáveis por mortes de personalidades que entristeceram os brasileiros recentemente.

Esses dois tipos de tumores ainda têm em comum os sintomas iniciais vagos. No caso do ovário, além de quase não oferecer indicativos nos primeiros estágios, os sintomas, quando surgem, são facilmente confundidos com os de outras doenças: dores no abdômen ou pélvis, perda de apetite, mudanças nos hábitos intestinais. Com os tumores de estômago, não é diferente. Azia, má digestão e perda de apetite são indicativos também de uma gama de outras doenças.

“São tipos de difícil detecção precoce porque nenhum dos dois tem evidência de rastreio. No câncer de mama, por exemplo, você faz mamografias regularmente, no de próstata, exames de PSA. Para a cárdia e o ovário não existe um protocolo preventivo a seguir”, confirma a oncologista Talita Coelho Paiva, do Centro de Oncologia Campinas.

Há, contudo, indicadores de alerta para as doenças. Os fatores de risco para tumores de ovário são a  menopausa tardia, mulheres com histórico familiar, obesas, que fizeram terapia hormonal e que tiveram filhos após os 35 anos, entre outros.  “Os exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal, podem indicar anormalidades, mas a única maneira de realizar o diagnóstico do câncer de ovário é por meio de cirurgia”, esclarece a médica.

Os prognósticos do câncer de ovário, explica, dependem do estágio da doença e do sucesso da cirurgia e dos tratamentos. Quando não há metástase e o tumor é totalmente retirado, sem doença residual, as chances de cura chegam perto dos 92%.

“Cerca de 50% dos casos de ovário ocorrem em mulheres a partir dos 65 anos. O recomendado é que o acompanhamento seja mais rigoroso com o passar da idade”, confirma. A médica alerta que o câncer de ovário é o terceiro tumor ginecológico mais comum entre as mulheres, atrás do câncer de mama e do colo do útero. Contudo, por ser silencioso, costuma ser também bastante letal.

O câncer de estômago atinge preferencialmente homens (65%) com mais de 50 anos de idade. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, a estimativa é de 21 mil novos casos ao ano. Embora possa ser detectado por meio de endoscopia, os primeiros sintomas do câncer de estômago se confundem com indigestão, azia, perda de apetite e dor estomacal.

“A dificuldade da detecção precoce está justamente no fato de serem sintomas comuns a outras doenças. Muitas pessoas apresentam má digestão. Porém, quando o problema se tornar persistente, então é preciso procurar o médico para realizar a investigação. A endoscopia é eficaz no diagnóstico, porém, é um exame que não se faz com regularidade, até por ser um procedimento mais invasivo”, reforça a médica Talita Coelho Paiva.

Leia também: Câncer de Colo de Útero pode ser evitado com vacinação