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Linfoma de Hodgkin

O linfoma é um câncer do sangue, assim como a leucemia. Entretanto, enquanto a leucemia tem origem na medula óssea, o linfoma surge no sistema linfático, uma rede de pequenos vasos e gânglios linfáticos, que é parte tanto do sistema circulatório, como do sistema imune. O sistema coleta e redireciona para o sistema circulatório um líquido claro, chamado linfa, e contém células de defesa (glóbulos brancos), chamadas linfócitos. Também fazem parte desse sistema os gânglios linfáticos, chamados de nódulos linfáticos ou linfonodos, e órgãos como timo, baço e amígdalas, todas as estruturas envolvidas na produção de linfócitos, o que inclui a medula óssea e o tecido linfático associado ao sistema digestivo. 

A doença pode ocorrer em qualquer faixa etária; porém é mais comum entre adolescentes e adultos jovens (15 a 29 anos), adultos (30 a 39 anos) e idosos (75 anos ou mais). Os homens têm maior propensão a desenvolver o linfoma de Hodgkin do que as mulheres.

A incidência de casos novos permaneceu estável nas últimas cinco décadas, enquanto a mortalidade foi reduzida em mais de 60% desde o início dos anos 1970 devido aos avanços no tratamento. A maioria dos pacientes com linfoma de Hodgkin pode ser curada com o tratamento disponível atualmente.

Estatística

A estatística de novos casos para o ano de 2020 foi de 2.640 novos casos, sendo 1.590 para homens e 1.050 para mulheres. A estimativa de mortes para o ano de 2019 foi de 532, sendo 307 homens e 225 mulheres.

Tipos

Existem dois tipos principais de linfoma de Hodgkin:

Linfoma de Hodgkin Clássico

O linfoma de Hodgkin clássico representa 95% dos casos da doença de Hodgkin em países desenvolvidos. As células cancerígenas no linfoma de Hodgkin clássico são denominadas células de Reed-Sternberg e são geralmente um tipo anormal de linfócito B. Os linfonodos aumentados em pacientes com linfoma de Hodgkin clássico geralmente têm um pequeno número de células de Reed-Sternberg e um grande número de células imunológicas normais circundantes.
O linfoma de Hodgkin clássico está subdivido em 4 subtipos:

  • Esclerose nodular. Este é o tipo mais comum da doença. Ocorre principalmente em pessoas mais jovens, igualmente em homens e mulheres. Tende a começar nos linfonodos do pescoço ou tórax.
  • Celularidade mista. Este é o segundo tipo mais comum e é visto na maior parte em adultos mais velhos. Pode começar em qualquer linfonodo, mas na maioria das vezes ocorre na metade superior do corpo.
  • Predomínio linfocitário. Este subtipo ocorre geralmente na metade superior do corpo e raramente é encontrado em mais do que alguns nódulos linfáticos.
  • Depleção linfocitária. Esta é a forma menos comum de doença de Hodgkin. É visto principalmente em pessoas idosas. A doença tem maior probabilidade de ser avançada, quando diagnosticada nos linfonodos do abdome, baço, fígado ou medula óssea.

Linfoma de Hodgkin de predomínio Nodular Linfocitário

O linfoma de Hodgkin de predomínio nodular linfocitário responde por cerca de 5% da doença de Hodgkin. Ele possui células grandes, muitas vezes chamadas células pipoca (porque se parecem com pipoca), que são variantes das células de Reed-Sternberg.
Este tipo de linfoma geralmente envolve os gânglios linfáticos do pescoço e axilas. Pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, sendo mais comum em homens do que em mulheres. Esse tipo de linfoma é tratado de forma diferente dos tipos clássicos.

Fatores de Risco:

  • Pessoas com sistema imune comprometido, como portadores do vírus HIV e pacientes que fazem uso de drogas imunossupressoras (indicada para evitar rejeição após a realização de transplantes).
  • Apesar de ser um fato muito raro, membros de famílias nas quais uma ou mais pessoas tiveram o diagnóstico da doença têm risco aumentado de desenvolvê-la.

Prevenção

Não existe uma forma de prevenção da doença.

Sinais e Sintomas:

O linfoma de Hodgkin pode surgir em qualquer parte do corpo, e os sintomas dependem da sua localização. Caso se desenvolva em linfonodos superficiais do pescoço, axilas e virilha, formam-se ínguas (linfonodos inchados) indolores nesses locais. Se a doença ocorre na região do tórax podem surgir tosse, falta de ar e dor torácica. Quando se apresenta na pelve ou no abdômen, os sintomas são desconforto e distensão abdominal. Outros sinais de alerta são febre, cansaço, suor noturno, perda de peso sem motivo aparente e coceira no corpo.

Diagnóstico

O diagnóstico do linfoma de Hodgkin é obtido por meio de biópsia da região afetada. A biopsia consiste na retirada de uma pequena parte de todo o linfonodo, que posteriormente é enviado para exame patológico. Atualmente, o linfoma de Hodgkin é classificado em dois subgrupos de acordo com a Organização mundial de Saúde (OMS): linfoma de Hodgkin clássico, que se subdivide em quatro subtipos (esclerose nodular, celularidade mista, depleção linfocitária e rico em linfócitos), e linfoma de Hodgkin predomínio linfocitário nodular.

Tratamento

O linfoma de Hodgkin, na maioria dos casos, é uma doença curável quando tratado adequadamente. O tratamento clássico é a poliquimioterapia, quimioterapia com múltiplas drogas, com ou sem radioterapia associada. No momento do diagnóstico, dependendo do estádio da doença, pode-se estimar o prognóstico do paciente com o tratamento. A quantidade de ciclos de quimioterapia dependerá da avaliação do estádio inicial do tumor. Os pacientes podem ser classificados como portadores de doença localizada ou avançada.

Para os pacientes que sofrem recaídas, ou seja, retorno da doença, ou que não responderam ao tratamento inicial, as alternativas vão depender da forma inicial de tratamento. As opções empregadas usualmente, e com indicações relativamente precisas, são as poliquimioterapia e o transplante de medula óssea.

Os pacientes devem ser seguidos continuamente após o tratamento, com consultas periódicasm cujos intervalos podem ir aumentando progressivamente.

Referências

Instituto Nacional do Câncer Tipos de câncer. Linfoma de Hodgkin. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/linfoma-de-hodgkin  Acesso em: 24/06/2021.

Instituto Oncoguia Tipos de Câncer. Linfoma de Hodgkin. Disponível em: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/sinais-e-sintomas-do-linfoma-de-hodgkin/1473/322/  Acesso em: 24/06/2021.

Oncologia Albert Einstein Tipo de Câncer. Linfoma de Hodgkin. Disponível em: https://www.einstein.br/especialidades/oncologia/tipos-cancer/linfoma-de-hodgkin Acesso em: 24/06/2021.

AC Camargo Tipos de Câncer. Linfoma de Hodgkin. Disponível em: https://www.accamargo.org.br/sobre-o-cancer/tipos-de-cancer/linfoma-de-hodgkin?gclid=Cj0KCQjw2tCGBhCLARIsABJGmZ6Opj_7KiE79QQG0zUjk5PJ_sINnpySVVt6ryqKhSWap4ZsHRetqegaAlg1EALw_wcB  Acesso em: 24/06/2021.

Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e leucemia. Disponível em: https://www.abrale.org.br/doencas/linfomas/lh/o-que-e/   Acesso em: 24/06/2021.

Mitos e Verdades

Mito: Trata-se de um grupo diversificado de doenças, divididas inicialmente entre Linfomas de Hodgkin e não-Hodgkin, que se distinguem principalmente pela característica da célula tumoral e, consequentemente, pelo tipo de tratamento. Ambos são tratados com quimioterapia, com a possibilidade de se associar ou não à radioterapia, de acordo com o caso.
Esses dois grupos englobam subdivisões ainda mais específicas, resultando em cerca de 50 subtipos. Entre os Linfomas não Hodgkin, por exemplo, há diferenciação na velocidade da evolução do câncer: os indolentes se expandem lentamente e demoram a apresentar sintomas; já os agressivos demonstram sinais de sua extensão rapidamente e podem exigir uma intervenção imediata. Já o Linfoma de Hodgkin pode ser clássico ou de predomínio Nodular Linfocitário, caracterizado de acordo com o tecido atingido pelo tumor. 

Verdade: Assim como a leucemia, o linfoma também é mais comum naqueles que apresentam o hábito do tabagismo. Segundo pesquisas, o risco de desenvolver um Linfoma de Hodgkin pode ser 50% maior para quem fuma, na média, 20 cigarros por dia. 

Verdade:  O aumento do tamanho de um gânglio linfático pode ocorrer devido ao desenvolvimento de um câncer como o linfoma, mas também ser causado por infecção ou inflamação. O recomendável é consultar um especialista para avaliar cada caso com o objetivo de identificar possíveis causas, principalmente se não houver infecção no local. 

Mito: Esse tipo de inchaço costuma ser consequência de alguns tratamentos oncológicos. Geralmente provocado por um funcionamento anormal da drenagem linfática, o gânglio pode aumentar por diversas causas, como doenças imunológicas ou infecções.

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