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Leucemia

A leucemia é uma doença maligna dos glóbulos brancos, geralmente, de origem desconhecida. Tem como principal característica o acúmulo de células doentes na medula óssea, que substituem as células sanguíneas normais.

A medula óssea é o local de fabricação das células sanguíneas e ocupa a cavidade dos ossos, sendo popularmente conhecida por tutano. Nela são encontradas as células que dão origem aos glóbulos brancos (leucócitos), aos glóbulos vermelhos (hemácias ou eritrócitos) e às plaquetas.

Na leucemia, uma célula sanguínea que ainda não atingiu a maturidade sofre uma mutação genética que a transforma em uma célula cancerosa. Essa célula anormal não funciona de forma adequada, multiplica-se mais rápido e morre menos do que as células normais. Dessa forma, as células sanguíneas saudáveis da medula óssea vão sendo substituídas por células anormais cancerosas.

Existem mais de 12 tipos de leucemia, sendo que os quatro primários são leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia mieloide crônica (LMC), leucemia linfocítica aguda (LLA) e leucemia linfocítica crônica (CLL).

Estatística

A estimativa de novos casos para o ano de 2020 foi de 10.810 novos casos, sendo 5.920 para homens e 4.890 para mulheres. A estimativa de mortes para o ano de 2019 foi de 7.370, sendo 4.014 para homens e 3.356 para mulheres.

Tipos

Existem 2 principais tipos de leucemia, linfóide e mieloide, que podem ser classificados como sendo aguda ou crônica, mas ainda existem outros 4 subtipos, que são:

  • Leucemia Mielóide Aguda: desenvolve-se rapidamente e pode afetar igualmente adultos ou crianças. O tratamento pode ser feito através de quimioterapia e/ou transplante de medula óssea e tem 80% de chance de cura.
  • Leucemia Mielóide Crônica: desenvolve-se lentamente sendo mais frequente nos adultos. O tratamento pode ser feito com o uso de medicamentos específicos por toda a vida.
  • Leucemia Linfóide Aguda: avança rapidamente e pode ocorrer em crianças ou adultos. O tratamento pode ser feito com radioterapia e quimioterapia, mas o transplante de medula óssea também é uma opção quando os tratamentos anteriores não conseguem curar a doença.
  • Leucemia Linfóide Crônica: desenvolve-se lentamente e afeta mais frequentemente os idosos. Nem sempre o tratamento é necessário.
  • Leucemia Linfocítica Granular T ou NK: esse tipo de leucemia é de crescimento lento, mas um pequeno número pode ser mais agressivo e difícil de tratar.
  • Leucemia agressiva de células NK: pode ser causada pelo vírus Epstein-Barr, afeta adolescentes e jovens adultos, sendo agressiva. O tratamentp é feito com quimioterapia.
  • Leucemia de células T do adulto: é causada pelo vírus (HTLV-1), um retrovírus semelhante ao HIV, sendo muito grave. O tratamento é pouco eficaz mas é feito com quimioterapia e transplante de medula óssea.
  • Leucemia de células pilosas: é um tipo de leucemia linfocítica crônica, que afeta as células que parecem ter pelos, afeta mais os homens, não sendo encontrado em crianças.

O tipo de leucemia que a pessoa possui é determinado através de exames específicos, sendo fundamental para determinar o melhor tratamento a ser seguido.

Fatores de Risco:

Muitos estudos examinaram o papel dos fatores de risco em leucemia mieloide aguda e leucemia linfocítica aguda. A radiação ionizante e o benzeno são os fatores ambientais que até agora foram comprovadamente associados à leucemia aguda. Há outros fatores ambientais menos ligados à leucemia aguda.

As causas da leucemia ainda não estão definidas, mas suspeita-se da associação entre determinados fatores com o risco aumentado de desenvolver alguns tipos específicos da doença:

  • Tabagismo: leucemia mieloide aguda.
  • Benzeno (encontrado na gasolina e largamente usado na indústria química): leucemia mieloide aguda e crônica, leucemia linfóide aguda.
  • Radiação ionizante (raios X e gama) proveniente de procedimentos médicos (radioterapia). O grau de risco depende da idade, da dose de radiação e da exposição: leucemia mieloide aguda e crônica e leucemia linfóide aguda.
  • Quimioterapia (algumas classes de medicamentos usados no tratamento do câncer e doenças autoimunes): leucemia mieloide aguda e leucemia linfóide aguda.
  • Formaldeído: exposição ocupacional em indústrias (química, têxtil, entre outras), área biomédica/saúde 9hospitais e laboratórios: antisséptico, desinfetante, fixador histológico e solvente), além do uso não autorizado pela Anvisa desta substância em alguns salões de beleza 9procedimento de alisamento capilar).
  • Produção de borracha: leucemias.
  • Síndrome de Down e outras doenças hereditárias: leucemia mieloide aguda.
  • Síndrome mielodisplásica e outras desordens sanguíneas: leucemia mieloide aguda.
  • História familiar: leucemia mieloide aguda e leucemia linfóide aguda.
  • Idade: quanto maior for a idade, maior o risco de desenvolver leucemia. Exceto a leucemia linfóide aguda, que é mais comum em crianças. Todas as outras formas são mais comuns em idosos.
  • Exposição a agrotóxicos, solventes, diesel, poeiras, infecção por vírus de hepatite B e C: leucemias.

Prevenção

Na maior parte das vezes, os pacientes que desenvolvem leucemia não apresentam nenhum fator de risco conhecido que possa ser modificado. Por isso, a maioria dos casos de leucemia não podem ser evitados.

No entanto, o tabagismo se correlaciona com aumento do risco de leucemia mieloide aguda. Esse é um fator de risco modificável, relacionado a diversos outros tipos de cânceres (pulmão, boca, bexiga) e outras doenças graves também, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.

Parar de fumar sempre vale a pena em qualquer momento da vida, mesmo que o fumante já esteja com alguma doença causada pelo cigarro, tais como câncer, efisema ou derrame. A qualidade de vida melhora muito ao parar de fumar e os riscos de adoecer diminuem.

Os raros casos de leucemia secundária ao tratamento de outros cânceres, em decorrência do uso de certos agentes quimioterápicos e/ou radioterapia, dificilmente poderiam ser evitados, pois o tratamento de uma doença potencialmente fatal é prioritário. Mas em diversos tipos de câncer estão sendo estudadas novas alternativas de tratamentos que não envolvem o risco de desenvolvimento futuro de leucemias secundárias.

Sinais e Sintomas:

Os principais sintomas decorrem do acúmulo de células defeituosas na medula óssea, prejudicando ou impedindo a produção das células sanguíneas normais. A diminuição dos glóbulos vermelhos ocasiona anemia, cujo sintomas incluem: fadiga, falta de ar, palpitação, dor de cabeça, entre outros. A redução dos glóbulos brancos provoca baixa da imunidade, deixando o organismo mais sujeito a infecções muitas vezes graves ou recorrentes. A diminuição das plaquetas ocasiona sangramento, sendo os mais comuns das gengivas e pelo nariz e manchas roxas (equimoses) e/ou pontos roxos (petéquias) na pele.

O paciente pode apresentar gânglios linfáticos inchados, mas sem dor, principalmente na região do pescoço e das exilas; febre ou suores noturnos; perda de peso sem motivo aparente; desconforto abdominal (provocado pelo inchaço do baço ou fígado); dores nos ossos e nas articulações. Caso a doença afete o Sistema Nervoso Central (SNC), podem surgir dores de cabeça, náuseas, vômitos, visão dupla e desorientação.

Depois de instalada, a doença progride rapidamente, exigindo que o tratamento seja iniciado logo após o diagnóstico e a classificação da leucemia.

Diagnóstico

Diante da suspeita de um quadro de leucemia, o paciente deverá realizar exames de sangue e deverá ser referenciado para hematologista, para avaliação médica específica.

O principal exame de sangue para confirmação da suspeita de leucemia é o hemograma. Em caso positivo, o hemograma estará alterado, mostrando na maioria das vezes um aumento do número de leucócitos (na minoria das vezes o número estará diminuído), associado ou não à diminuição das hemácias e plaquetas. Outras análises laboratoriais devem ser realizadas, como exames de bioquímica e da coagulação, e poderão estar alteradas.

A confirmação diagnóstica é feita com o exame da medula óssea (mielograma). Nesse exame, retira-se uma pequena quantidade de sangue, proveniente do material esponjoso de dentro do osso, para análise citológica (avaliação da forma das células), citogenética (avaliação dos cromossomos das células), molecular (avaliação de mutações genéticas) e imunofenotípica (avaliação do fenótipo das células).

Algumas vezes pode ser necessária a realização da biópsia da medula óssea. Nesse caso, um pequeno pedaço do osso da bacia é enviado para análise por um patologista.

Tratamento

Tem o objetivo de destruir as células leucêmicas para que a medula óssea volte a produzir células normais.

Nas leucemias agudas, o processo de tratamento envolve quimioterapia 9combinações de quimioterápicos), controle das complicações infecciosas e hemorrágicas e prevenção ou combate da doença no SNC (cérebro e medula espinhal). Para alguns casos, é indicado o transplante de medula óssea.

O tratamento é feito em etapas. A primeira tem a finalidade de obter a remissão completa, ou seja, um estado de aparente normalidade após a poliquimioterapia. Esse resultado é alcançado em torno de um mês após o início do tratamento (fase de indução de remissão), quando os exames (de sangue e da medula óssea) não mais evidenciam células anormais.

Entretanto, pesquisas comprovam que ainda restam no organismo muitas células leucêmicas (doença residual), o que obriga a continuação do tratamento para não haver recaída. Nas etapas seguintes, o tratamento varia de acordo com o tipo de célula afetada pela leucemia. Nas linfóides, pode durar mais de dois anos, e nas mieloides, menos de um ano, exceto nos casos de leucemia promielocítica aguda, que também dura mais de 2 anos.

Na leucemia linfoblástica aguda (LLA), o tratamento é composto de três fases: indução de remissão, consolidação (tratamento intensivo com quimioterápicos não empregados anteriormente); e manutenção (o tratamento é mais brando e contínuo por vários meses). Durante todo o tratamento, pode ser necessária a internação do paciente por infecção decorrente da queda dos glóbulos brancos normais e por outras complicações do próprio tratamento.

Na leucemia mieloide aguda (LMA), a etapa de manutenção só é necessária para os casos de leucemia promielocítica aguda – subtipo especial de LMA, muito relacionado com hemorragias graves no diagnóstico. Nesses casos, existe uma mutação genética específica que pode ser detectada nos exames da medula óssea e o tratamento com uma combinação de quimioterapia com um comprimido oral (tretinoina) possibilita taxas de cura bastante elevadas.

O tratamento da leucemia mieloide crônica (LMC) não é feito com quimioterapia. Essa leucemia decorre do surgimento de um gene específico (gene BCR-ABL), capaz de aumentar a multiplicação celular através de uma proteína, a tirosina quinase. O tratamento é feito com um medicamento oral da classe dos inibidores de tirosina quinase, que inibe especificamente essa proteína anormal, que é a causa da LMC. É um tratamento considerado “alvo específico”, porque o medicamento inibe a multiplicação das células cancerosas, mas não das células normais do organismo. Alguns casos de resistência ou falha ao tratamento inicial podem necessitar de quimioterapia e transplante de medula óssea.

Na leucemia linfocítica crônica (LLC) agentes quimioterápicos, imunológicos (anticorpos monoclonais) e agentes orais podem ser utilizados no tratamento. A escolha dependerá de aspectos clínicos do paciente (como idade, presença de outras doenças, capacidade de tolerar quimioterapia) e da doença.

Referências

Tua Saúde Guia completo sobre Leucemia. Disponível em: https://www.tuasaude.com/leucemia/  Acesso em 24/06/2021.

Instituto Nacional do Câncer Tipos de câncer. Leucemia. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/leucemia   Acesso em: 24/06/2021.

Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e leucemia. Disponível em: https://www.abrale.org.br/doencas/leucemia/  Acesso em: 24/06/2021.

Pfizer. Leucemia. Disponível em: https://www.pfizer.com.br/sua-saude/oncologia/leucemia  Acesso em: 24/06/2021.

Hospital Israelita Albert Einstein. Leucemia Disponível em: https://www.einstein.br/especialidades/oncologia/tipos-cancer/leucemia Acesso em: 24/06/2021.

Mitos e Verdades

Mito: A anemia pode ser um sintoma, mas não um fator de risco para o desenvolvimento da leucemia. As causas mais comuns de anemia na população são as carenciais, ou seja, relacionadas à ausência de algum elemento no organismo. A mais comum é por deficiência de ferro, que pode estar relacionada à dieta ou por perda crônica de sangue. A anemia hemolítica (doença autoimune onde os anticorpos atacam os glóbulos vermelhos do próprio organismo) também não predispõe à leucemia.

No entanto, a exceção à regra ocorre somente se o paciente tiver uma síndrome mielodisplásica, doença da medula óssea que se inicia como anemia e posteriormente pode se desenvolver em uma leucemia.

Mito: Quando se ouve a expressão “doação da medula óssea”, costuma-se associar à estrutura localizada na região das costas, por dentro das vértebras. No entanto, essa é a medula espinhal – uma continuação do Sistema Nervoso Central. A medula óssea está na parte de dentro de todos os ossos, em uma região conhecida como tutano. Atua na fabricação de todos os componentes celulares do sangue e, caso sua produção seja danificada, pode desencadear em doenças como a leucemia. A doação de medula óssea também pode ser importante para o tratamento desse câncer.

Mito: A exposição a produtos químicos, como agrotóxicos, pesticidas e herbicidas, pode ser um fator de risco para o desenvolvimento da leucemia. Porém, principalmente em casos de pacientes que vivem em centros urbanos, esse contato não ocorre. Outras causas, como síndromes hereditárias e o tabagismo, também podem predispor a esse câncer hematológico, que ainda apresenta muitos casos de origem desconhecida.

Verdade: Apesar de os hábitos alimentares saudáveis serem importantes para a prevenção de tumores sólidos, como no intestino, na mama e no abdômen, não há estudos que apresentam a ligação da dieta com o risco de desenvolver leucemia. De qualquer modo, a alimentação balanceada colabora para a saúde como um todo e permanece como questão importante no cotidiano.

Verdade: Entre as diversas substâncias tóxicas encontradas no cigarro, algumas podem aumentar a incidência de cânceres hematológicos, como a leucemia. Elementos como metais pesados e o benzeno são os principais influenciadores. O tabagismo durante a gravidez pode influenciar no desenvolvimento dessas doenças para os filhos.

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