COC – Centro de Oncologia Campinas

Câncer de Tireóide

O câncer da tireoide é o mais comum da região da cabeça e pescoço e afeta três vezes mais as mulheres do que os homens.  Pela mais recente estimativa brasileira (2018), é o quinto tumor mais frequente em mulheres nas regiões Sudeste e Nordeste (sem considerar o câncer de pele não-melanoma).

Os carcinomas diferenciados são os tipos mais frequentes. Dentre eles estão o papilífero (entre 50% e 80% dos casos), o folicular (de 15% a 20% dos casos) e o de células de Hürthle. Existem ainda os carcinomas pouco diferenciados (cerca de 10% dos casos) e os indiferenciados (também cerca de 10%).

Estatística

A estimativa de novos casos para o ano de 2020 foi de 13.780, sendo 1.830 homens e 11.950 mulheres. A estimativa para o numero de mortes para o ano de 2019 foi de 869, sendo 298 homens e 571 mulheres.

Tipos

Câncer de tireoide diferenciado: Os carcinomas diferenciados se desenvolvem a partir das células foliculares da tireoide. Nesse tipo de câncer, as células se parecem muito com o tecido tireoidiano normal quando vistas sob um microscópio.

  • Carcinoma papilífero. 80% dos cânceres de tireoide são carcinomas papilíferos, também conhecidos por adenocarcinomas papilíferos. Normalmente crescem muito lentamente e geralmente se desenvolvem em apenas um lobo da glândula tireoide. Mesmo que seu desenvolvimento seja lento, muitas vezes os carcinomas papilares se disseminam para os linfonodos do pescoço.
  • Carcinoma folicular. O carcinoma folicular ou adenocarcinoma folicular é menos comum do que o carcinoma papilífero, correspondendo a 10% dos cânceres de tireoide. O carcinoma folicular, ao contrário do papilar geralmente não se dissemina para os linfonodos, mas alguns podem se disseminar para outros órgãos, como os pulmões ou ossos.
  • Carcinoma de células de Hürthle. Esse tipo é também conhecido como carcinoma de células oxífilas. É responsável por cerca de 3% dos cânceres da tireoide. Esse tipo é mais difícil de ser diagnosticado e tratado.

 Carcinoma medular de tireoide: O carcinoma medular da tireoide representa 4% dos cânceres da tireoide, e se desenvolve a partir das células C da glândula. Às vezes esse tipo de câncer pode se disseminar para os linfonodos, pulmões, fígado, antes mesmo do nódulo na tireoide ser diagnosticado. Existem 2 tipos de carcinoma medular:

  • Carcinoma medular esporádico. Representa 80% dos casos, não é hereditário, afeta apenas um lobo da tireoide e ocorre principalmente em adultos.
  • Carcinoma medular hereditário. Esse tipo de câncer frequentemente se desenvolve durante a infância ou início da idade adulta e pode se disseminar cedo. Os pacientes geralmente apresentam doença em diversas áreas de ambos os lobos.

  Câncer de tireoide anaplásico (Indiferenciado): O carcinoma anaplásico ou indiferenciado é uma forma rara de câncer de tireoide, correspondendo apenas a 2% de todos os cânceres da glândula. Esse tumor é denominado indiferenciado, porque as células cancerígenas não se parecem muito com as células normais da tiroide sob o microscópio. É um tumor que invade rapidamente o pescoço e muitas vezes se dissemina para outros órgãos.

Cânceres de tireoide menos comuns: Menos de 4% dos cânceres diagnosticados na tireoide são linfomas tireoidianos, sarcomas da tireoide ou outros tumores raros.

Fatores de Risco:

Um fator de risco é algo que afeta sua chance de contrair uma doença como o câncer. Diferentes tipos de câncer apresentam diferentes fatores de risco. Alguns como fumar, por exemplo, podem ser controlados; no entanto outros não, por exemplo, idade e histórico familiar. Embora os fatores de risco possam influenciar o desenvolvimento do câncer, a maioria não causa diretamente a doença. Algumas pessoas com vários fatores de risco nunca desenvolverão um câncer, enquanto outros, sem fatores de risco conhecidos poderão fazê-lo.

Ter um fator de risco ou mesmo vários, não significa que você vai ter a doença. Muitas pessoas que contraem a enfermidade podem não estar sujeitas a nenhum fator de risco conhecido. Se uma pessoa com câncer de tireoide tem algum fator de risco, muitas vezes é muito difícil saber o quanto esse fator pode ter contribuído para o desenvolvimento da doença.

Fatores que podem aumentar o risco de uma pessoa desenvolver câncer de tireoide:

Fatores de risco que não podem ser alterados

  • Gênero e idade. Por razões ainda não esclarecidas o câncer de tireoide, assim como quase todas as doenças da tireoide, ocorre cerca de 3 vezes mais em mulheres do que em homens. O câncer de tireoide pode acontecer em qualquer idade, mas os picos de risco incidem antes nas mulheres, na maioria das vezes entre os 40 a 50 anos, do que nos homens, geralmente entre 60 a 70 anos.
  • Condições hereditárias. Várias condições hereditárias foram associadas a diferentes tipos de câncer de tireoide, assim como o histórico familiar. Ainda assim, a maioria das pessoas que desenvolve câncer de tireoide não tem uma condição hereditária ou um histórico familiar da doença.
  •  Câncer medular de tireoide. Aproximadamente 20% dos carcinomas medulares são herdados de um gene anormal. Esses casos são conhecidos como carcinoma medular de tireoide familiar, que pode ocorrer por si só, ou junto com outros tumores.
  •  Outros cânceres de tireoide. Pessoas com certas condições clínicas hereditárias têm um risco maior de desenvolver câncer de tireoide. As maiores taxas da doença ocorrem entre pessoas com condições genéticas raras, como: polipose adenomatosa familiar, doença de Cowden, complexo de Carney tipo I e carcinoma de tireoide não medular familiar.
  •  Histórico familiar. Ter um parente de primeiro grau (pai, irmão, irmã, ou filho) com câncer de tireoide, mesmo sem uma síndrome hereditária conhecida na família, aumenta o risco de câncer de tireoide. A base genética para esses tipos de câncer não é totalmente clara.

Fatores de risco que podem ser alterados

  • Dieta pobre em iodo. O câncer de tireoide folicular é mais comum em regiões onde as pessoas têm uma dieta com baixo teor de iodo. A dieta com baixo teor em iodo também pode aumentar o risco de câncer papilar.
  •  Exposição às radiações Ionizantes. A exposição à radiação é um fator de risco comprovado para o câncer de tireoide. As fontes de radiações incluem determinados tratamentos médicos e radiações resultantes de acidentes nucleares. Os exames de imagem, como raios X e tomografia computadorizada, também expõem as crianças às radiações, mas em doses muito mais baixas, por isso não está claro o quanto podem aumentar o risco do câncer de tireoide (ou outros tipos de câncer).

Prevenção

A maioria dos pacientes com câncer de tireoide não tem fatores de risco conhecidos, de modo que não é possível prevenir todos os casos da doença.

Exposição à radiação, especialmente na infância, é um fator de risco conhecido para o câncer de tireoide. Em função disso, os médicos não usam radioterapia para tratar doenças menos graves. Em geral, evitam qualquer exposição desnecessária aos raios X.

Exames de sangue estão disponíveis para avaliar mutações em genes encontrados no carcinoma de tireoide medular hereditário. Por essa razão, a maior parte dos casos hereditários do câncer de tireoide medular pode ser prevenida ou tratada precocemente com a retirada da glândula tireoide. Sempre que a doença é diagnosticada numa família, os demais membros devem realizar exames para diagnosticar qualquer alteração genética.

Em caso de histórico familiar de câncer de tireoide medular, é importante consultar um médico especializado em aconselhamento genético.

Sinais e Sintomas:

  • O câncer de tireoide pode provocar qualquer um dos seguintes sinais ou sintomas:
  • Nódulo, caroço ou inchaço no pescoço, às vezes crescendo rapidamente.
  • Inchaço no pescoço.
  • Dor na parte anterior do pescoço, às vezes, irradiando para a região dos ouvidos.
  • Rouquidão ou outras alterações na voz que não desaparecem.
  • Dificuldade para engolir.
  • Problemas respiratórios.
  • Tosse constante.

Muitas condições benignas podem provocar os mesmos sintomas. Nódulos da tireoide são comuns e geralmente são benignos. Ainda assim, se você tem algum desses sinais ou sintomas, é importante consultar um médico para que a causa possa ser diagnosticada e tratada, se necessário.

Diagnóstico

O câncer de tireoide pode ser diagnosticado quando o paciente consulta um médico devido a sintomas que está apresentando ou pode ser diagnosticado durante um exame físico de rotina ou outros exames de imagem. Entretanto, se houver suspeita de câncer de tireoide, o médico solicitará mais exames para confirmar o diagnóstico.

Histórico clínico e exame físico

Será perguntado durante a consulta seu histórico clínico completo, incluindo informações sobre os sintomas apresentados, possíveis fatores de risco, histórico familiar, e outras condições clínicas.

O exame físico dará ao médico informações sobre possíveis sinais de câncer de tireoide e outros problemas de saúde. Durante o exame, o médico prestará especial atenção ao tamanho e consistência da tireoide e dos linfonodos do pescoço.

Tratamento

O tratamento do câncer de tireoide é cirúrgico. A tireoidectomia (retirada da tireoide) total ou parcial (em casos indicados) é o tratamento de escolha. 

O tratamento dos carcinomas bem diferenciados (papilífero e folicular) depende dos riscos associados (extensão da cirurgia e necessidade da complementação terapêutica com iodo radioativo).

Alguns outros tipos histológicos, como é o caso dos carcinomas medulares, têm indicação de tireoidectomia total já associada a retirada dos linfonodos vizinhos a glândula.

Em casos de tumores que se espalham para gânglios linfáticos cervicais (do pescoço), o tratamento do tumor primário deve ser associado a retirada dos gânglios linfáticos afetados. A complementação terapêutica com o iodo radioativo deve ser sempre utilizada em pacientes com carcinomas bem diferenciados, considerados de alto risco e submetidos à tireoidectomia total.

Referências

INCA Instituto Nacional do Câncer. Tipos de Câncer. Câncer de Tireoide. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-tireoide Acesso em: 30/06/2021.

SBEM. Tipos de Câncer. Câncer de Tireoide. Disponível em: https://www.endocrino.org.br/entendendo-o-cancer-de-tireoide/ Acesso em: 30/06/2021.

Instituto Vencer o Câncer. Tipos de Câncer. Câncer de Tireoide. Disponível em: https://vencerocancer.org.br/tipos-de-cancer/cancer-de-tireoide-tipos-de-cancer/cancer-de-tireoide-o-que-e/ Acesso em: 30/06/2021.

Instituto Oncoguia. Tipos de Câncer. Câncer de Tireoide. Disponível em: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/sinais-e-sintomas-do-cancer-de-tireoide/7408/235/ Acesso em: 30/06/2021.

Mitos e Verdades

Mito: A tireoide é uma glândula endócrina, ou seja, produz hormônios que são liberados no sangue e atuam em todo o organismo. A produção hormonal não costuma ser afetada por tumores de tireoide, exceto os de maior volume, em que pode haver redução desses hormônios, conhecida como hipotireoidismo.

O câncer de tireoide pode estar acompanhado de hipertireoidismo ou hipotireoidismo, mas não é causa nem consequência desse tipo de alteração.

Mito: O câncer de tireoide pode se manifestar em pessoas de ambos os sexos. O surgimento de nódulos tireoideanos é mais comum em mulheres e, consequentemente a prevalência de nódulos malignos também é maior nesse grupo. No entanto, isso não exclui os indivíduos do sexo masculino do grupo de risco, podendo também serem acometidos pela doença.

Mito: A maioria dos tumores de tireoide não têm relação com fatores genéticos. Como são muito frequentes, a presença de nódulos em familiares de pacientes que apresentam câncer de tireoide pode ser confundida com fatores de risco hereditários, mas isso não condiz com a realidade. Existem algumas síndromes que apresentam o câncer de tireoide como componente e, nestes casos, há relação genética, mas estas são raras na população em geral.

Mito: O número de nódulos não está relacionado à presença ou não de câncer. Um paciente pode ter muitos nódulos e alguns deles serem benignos e outros malignos. O importante é avaliar cada um dos nódulos de forma isolada e tomar decisões de investigação e tratamento de forma personalizada, para cada caso e paciente.

Mito: A radiação emitida por telefones celulares é controlada por diversos órgãos de regulação internacionais e não há evidências de que ela possa trazer problemas significativos à saúde. A radiação externa, causada por grandes acidentes nucleares ou bombas atômicas é conhecida por aumentar os riscos de câncer de tireoide. O mesmo vale para pacientes que precisam fazer radioterapia cervical por outras doenças, sendo necessário acompanhamento cuidadoso com especialistas, nesses casos.

Verdade: Casos de nódulo na tireoide são muito comuns, mas nem todos eles são tumores malignos. Pelo contrário, a maioria absoluta desses nódulos é benigna, devendo ser avaliados cuidadosamente pelo Cirurgião de Cabeça e Pescoço para definir a necessidade de acompanhamento ou remoção cirúrgica.

Verdade: Todo paciente que desenvolve câncer de tireoide tem um tratamento individualizado, e o sucesso depende de muitos fatores, como subtipo do tumor, tamanho e grau de invasão do mesmo, presença de metástases linfonodais ou em outros órgãos. Em geral, esses tumores são pouco agressivos e as taxas de cura, quando realizado o tratamento adequado, podem alcançar até 95%.

Verdade: Na maioria das vezes os pacientes diagnosticados com câncer de tireoide recebem a indicação para fazer a retirada cirúrgica da glândula (conhecida como tireoidectomia). Existem diferentes tipos de técnicas e a decisão sobre retirada total ou parcial da tireoide depende de vários fatores Tratamentos complementares podem ser necessários, bem como a reposição dos hormônios por meio de medicamentos.

Verdade: O subtipo de tumor mais frequente da tireoide chama-se carcinoma papilífero e sua principal via de disseminação é linfática, o que significa que o primeiro lugar para onde costumam se espalhar (apresentar metástases) são os linfonodos cervicais. Portanto, se necessário, pode ser realizada a retirada completa da glândula tireoide e desses linfonodos (procedimento conhecido como esvaziamento cervical).

Verdade: Os tumores de tireoide costumam ser indolentes, o que significa que são pouco agressivos, crescem de forma lenta e, muitas vezes, não apresentam sintomas em suas fases iniciais. Quando já houve certo crescimento, o primeiro sintoma que costuma ser notado é o aparecimento de um nódulo palpável no pescoço. Mas conforme a doença avança, pode ocorrer, por exemplo, rouquidão, tosse e dificuldade para engolir, por exemplo.

 

Conteúdos Relacionados