COC – Centro de Oncologia Campinas

Câncer de Laringe

O câncer de laringe é um tipo de tumor que afeta a região da garganta, que apresenta como sintomas iniciais a rouquidão e a dificuldade para falar. Este tipo de câncer tem grandes chances de cura, quando seu tratamento é iniciado rapidamente, com radioterapia e quimioterapia, caso este tratamento não seja suficiente ou caso o câncer seja muito agressivo a cirurgia parece ser a solução mais eficaz.

Estatística

A estimativa de novos casos para o ano de 2020 foi de 7.650 sendo 6.470 para homens e 1.180 para mulheres. A estimativa de mortes para o ano de 2019 foi de 4.532, sendo 3.985 para homens e 547 para mulheres.

Tipos

Os tipos de câncer de laringe e hipofaringe são:

Carcinomas de células escamosas:

Quase todos os cânceres de laringe ou hipofaringe se desenvolvem a partir das células escamosas do epitélio, a camada interna de revestimento dessas duas estruturas. Esse tipo de câncer é denominado carcinoma ou câncer de células escamosas.

A maioria dos cânceres de células escamosas da laringe e hipofaringe se iniciam como uma condição pré- cancerígena chamada displasia. Quando visto sob um microscópio, estas células parecem anormais, mas não se assemelham às células cancerígenas. Na maioria das vezes a displasia não evolui para um câncer e frequentemente desaparece sem qualquer tratamento, especialmente se a causa for interrompida, por exemplo, fumar.

Alguns casos de displasia evoluem para um carcinoma in situ (CIS). No CIS, as células cancerígenas são vistas apenas no epitélio. Eles não invadem para as camadas mais profundas nem se disseminam para outros órgãos. A maioria dos casos deste tipo de câncer invasivo de células escamosas, podendo se disseminar para outros órgãos.

Outros tipos de Câncer:

Outros tipos raros de câncer, também, podem se iniciar na laringe ou hipofaringe.

  • Câncer de Glândula Salivar Menor: algumas áreas da laringe e hipofaringe têm pequenas glândulas conhecidas como glândulas salivares menores sob sua camada de revestimento. Estas glândulas produzem muco e saliva para lubrificar e umedecer a área. O câncer raramente se desenvolve a partir das células destas glândulas.
  • Sarcomas: cânceres como condrossarcomas ou sarcomas sinoviais podem se desenvolver a partir do tecido conjuntivo da laringe ou hipofaringe, mas são extremamente raros.
  • Melanomas: estes cânceres geralmente começam na pele, mas raramente se iniciam nas superfícies internas (mucosa), como na laringe ou hipofaringe.

Fatores de Risco:

  • O fumo e o álcool são os principais fatores de risco, sendo que o fumo aumenta em 10 vezes a chance de desenvolver o câncer de laringe.
  • Estresse e mau uso da voz também são prejudiciais.
  • Excesso de gordura corporal aumenta o risco de câncer de laringe.
  • Exposição a óleo de corte, amianto, poeira de madeira, de couro, de cimento, de cereais, têxtil, formaldeído, sílica, fuligem de carvão, solventes orgânicos e agrotóxicos está associada ao desenvolvimento de câncer de laringe. Os trabalhadores da agricultura e criação de animais, indústria têxtil, de couro, metalurgia, borracha, construção civil, oficina mecânica, fundição, mineração de carvão, assim como cabeleireiros, carpinteiros, encanadores, instaladores de carpetes, moldadores e modeladores de vidro, oleiros, açougueiros, barbeiros, mineiros, pintores e mecânicos de automóveis podem apresentar risco aumentado de desenvolvimento da doença.

Prevenção

  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas e manter o peso corporal adequado. Falar muito alto e sem pausas causa os chamados calos vocais.
  • Pacientes com câncer de laringe que continuam a fumar e a beber têm probabilidade de cura reduzida e aumento do risco de aparecimento de um segundo tumor na área de cabeça e pescoço.
  • Não fumar e evitar o tabagismo passivo. Parar de fumar sempre traz benefícios à saúde.
  • Evitar os fatores de risco é muito importante para prevenir o desenvolvimento da doença.

Sinais e Sintomas:

Na maioria dos casos, os cânceres de laringe e hipofaringe são diagnosticados em função dos sintomas.

Alteração da voz e rouquidão: o câncer de laringe que se forma nas cordas vocais (glote), muitas vezes causa rouquidão ou alterações na voz. Isto pode levar a um diagnóstico em estágio inicial. As pessoas que apresentam alterações na voz, como rouquidão, que não melhoram em duas semanas devem procurar um médico. Para uma avaliação completa, podem ser encaminhados para um especialista em ouvido, nariz e garganta (otorrinolaringologista) ou um cirurgião de cabeça e pescoço.

Para os tumores que não se iniciam nas cordas vocais, a rouquidão ocorre somente após os mesmos atingirem um estágio avançado ou terem invadido as cordas vocais. Muitas vezes, estes tumores não são diagnosticados antes de se disseminarem para os gânglios linfáticos, de modo que o paciente perceba uma massa no pescoço.

Outros sintomas:

Os tumores que começam na área da laringe (supraglote, subglote ou hipofaringe) são frequentemente diagnosticados em estágios avançados, por não apresentarem sintomas, como a rouquidão.

Os sintomas desses cânceres podem incluir:

  • Ferida na garganta que não cicatriza
  • Tosse persistente
  • Dor e dificuldade para engolir
  • Dor de ouvido
  • Dificuldade para respirar
  • Perda de peso
  • Nódulo ou massa no pescoço

Ter um ou mais destes sintomas não significa ter um câncer de laringe ou hipofaringe, na verdade, muitos desses sintomas são causados por outras condições clínicas. 

Diagnóstico

O diagnóstico do câncer da laringe é histopatológico. A biópsia é obrigatória antes de qualquer planejamento terapêutico, pois a laringe pode abrigar tipos diversos de lesões benignas que aparentam malignidade. 

A biópsia pode ser realizada sob anestesia local, com uso de endoscópios flexíveis dotados de canal de biópsia, ou sob anestesia geral e laringoscopia direta. O estadiamento em que se encontra o tumor e suas características determinarão a escolha do melhor tratamento do ponto de vista oncológico e funcional.

Tratamento

De acordo com a localização e a extensão do câncer, ele pode ser tratado com cirurgia e/ou radioterapia e com quimioterapia associada à radioterapia. 

Quanto mais precocemente for feito o diagnóstico, maior a possibilidade de o tratamento evitar deformidades físicas e problemas psicossociais, já que a terapêutica dos cânceres da cabeça e do pescoço pode causar problemas nos dentes, fala e deglutição. A laringectomia total (retirada da laringe) implica na perda da voz fisiológica e em traqueostomia definitiva (abertura de um orifício artificial na traqueia, abaixo da laringe). 

Como a preservação da voz é importante na qualidade de vida do paciente, algumas vezes a radioterapia pode ser empregada primeiro, deixando a cirurgia para o resgate, quando a radioterapia não for suficiente para controlar o tumor.

A associação de quimioterapia e radioterapia é utilizada em protocolos de preservação de órgãos, criados para tumores mais avançados. Os resultados na preservação da laringe têm sido positivos. 

Da mesma forma, novas técnicas cirúrgicas foram desenvolvidas permitindo a preservação da função da laringe, mesmo em tumores moderadamente avançados.Vale ressaltar que mesmo em pacientes submetidos à laringectomia total é possível a reabilitação da voz através de próteses fonatórias tráqueo-esofageanas. 

Referências

Tua Saúde Câncer de Laringe. Disponível em: https://www.tuasaude.com/cancer-de-laringe/  Acesso em 22/06/2021.

Instituto Nacional do Câncer Tipos de câncer. Câncer de Laringe. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-laringe  Acesso em: 22/06/2021.

Instituto Oncoguia Tipos de Câncer. Câncer de Laringe. Disponível em: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/sinais-e-sintomas-do-cancer-de-laringe-e-hipofaringe/2183/213/ Acesso em: 22/06/2021.

Oncologia Albert Einstein Tipo de Câncer. Câncer de Laringe. Disponível em: https://www.einstein.br/especialidades/oncologia/tipos-cancer/cancer-laringe Acesso em: 22/06/2021.

AC Camargo Tipos de Câncer. Câncer de Laringe. Disponível em: https://www.accamargo.org.br/sobre-o-cancer/tipos-de-cancer/laringe Acesso em: 22/06/2021.

Mitos e Verdades

Verdade: Trata-se de uma doença com caráter assintomático em seus primeiros estágios, confundida com uma série de enfermidades comuns, como gripe ou faringite. Muitos pacientes demoram a consultar um especialista por tentar justificar os próprios sintomas, mesmo que persistam por bastante tempo. Essa situação dificulta o diagnóstico precoce – que proporciona grandes chances de sucesso no tratamento. Portanto, é preciso um cuidado especial com feridas na boca, rouquidão ou inflamações que durem mais de duas semanas sem apresentar quadros de melhora, após seguir recomendações médicas.

Verdade: Mesmo após uma primeira consulta, quando os sintomas persistem, alguns pacientes buscam a opinião de outro médico. Por “começar do zero”, este profissional pode também não encontrar a verdadeira causa desses sintomas – principalmente em caso de câncer, de caráter assintomático inicialmente e que necessita de um acompanhamento mais próximo e constante do médico. A opinião de outro especialista, porém, é sim saudável: o problema é a alteração constante, em busca de um diagnóstico favorável ao que o paciente deseja ouvir. O conhecimento individual do caso pode colaborar para que o médico solicite exames mais apropriados e realize uma análise específica do paciente.

Mito: Reconhecido como um dos principais fatores de risco para tumores na cavidade oral, a diminuição de fumantes no Brasil não determinou o mesmo efeito para a incidência do câncer. Isso porque, apesar desse hábito ter diminuído, aumentou o número de casos relacionados ao papilomavírus humano (HPV), decorrente do ato sexual sem proteção, resultando em um crescimento de pacientes com tumores na cabeça e no pescoço sem histórico de tabagismo ou etilismo.

Verdade: Ingerir diariamente carne vermelha em grandes quantidades pode predispor a um tumor na boca ou garganta, principalmente quando preparada em churrasqueiras, uma vez que o carvão utilizado contém elementos carcinogênicos. O consumo ideal de carne é de 2 a 3 vezes por semana e recomenda-se variar a forma de preparo, além de incluir bastante salada na alimentação.

Verdade: Uma dieta com predominância de frutas cítricas e vegetais verdes, por exemplo, pode proteger diversos tipos de câncer, como os de cabeça e pescoço. Bebidas naturais, como chá verde, açafrão e própolis, também podem ser importantes fatores de proteção contra esses tumores, devido à presença de antioxidantes, componentes capazes de evitar a formação de lesões e tumores nas células.

Mito: A utilização de próteses dentárias não provoca câncer. Porém, caso esteja solta e machuque continuamente a boca, pode causar um traumatismo crônico, lesão com possibilidade de predispor ao câncer. A boca deve ser higienizada corretamente, pois, de acordo com algumas pesquisas, a gengivite crônica pode acumular bactérias com potencial carcinogênico. No entanto, não há ligação entre cáries e câncer.

Verdade: A utilização de enxaguantes bucais com álcool em sua composição pode aumentar a incidência de câncer. Isso ocorre com o uso diário e em longo prazo, pois o álcool pode eliminar bactérias protetoras da boca e facilitar a proliferação de substâncias maléficas ao organismo.

Mito: Atualmente, há métodos que permitem ao paciente laringectomizado a oportunidade de novamente se comunicar pela voz. A prótese traqueosofágica possibilita a fala para 90% dos operados e traz bons resultados em qualidade do som e tempo de fonação. Alternativas como a eletrolaringe e a voz esofágica, técnica em utilizar o esôfago para a produção de som, também são oferecidas ao paciente, permitindo maiores chances de sucesso na reabilitação pós-cirúrgica.

Mito: Décadas atrás, os homens eram mais acometidos por tumores na região da cabeça e pescoço, por representarem maior número de fumantes. No entanto, a proporção, outrora dividida em torno de 90% masculina e 10% feminina, hoje está igualada. A maior presença do tabagismo entre as mulheres, além do aumento da incidência de câncer de tireoide (causado principalmente por variações hormonais, mais constantes em organismos femininos) são as principais causas dessa mudança. A consulta com um especialista, a realização de exames periódicos e os cuidados com a saúde devem, portanto, ser realizados por ambos os sexos.

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