COC – Centro de Oncologia Campinas

Câncer de Fígado

O câncer de fígado pode ser de dois tipos: primário (que começa no próprio órgão) e secundário ou metastático (tem origem em outro órgão e, com a evolução da doença, atinge também o fígado). O tipo secundário é mais frequentemente decorrente de um tumor maligno no intestino grosso ou no reto.

Dentre os tumores iniciados no fígado, o mais comum é o hepatocarcinoma ou carcinoma hepatocelular. Agressivo, ocorre em mais de 80% dos casos. Existem também o colangiocarcinoma (originado nos dutos biliares do fígado), o angiossarcoma (câncer raro que se origina nos vasos sanguíneos do fígado) e o hepatoblastoma, tumor maligno raro que atinge recém-nascidos e crianças nos primeiros anos de vida.

Estatística

O número de mortes previsto para o ano de 2019 foi de 10.902, sendo 6.317 para homens e 4.584 para mulheres.

Tipos

Existem vários tipos de câncer que podem começar no fígado, como:

  • Carcinoma hepatocelular: é a forma mais frequente de câncer de fígado em adultos. O carcinoma hepatocelular têm padrões diferentes de crescimento. Alguns começam como um tumor único e outros surgem como muitos nódulos pequenos por todo o fígado, essa última situação é frequente em pessoas com cirrose hepática. Sob o microscópio, os médicos podem distinguir vários subtipos de carcinoma hepatocelular. Na maioria das vezes esses subtipos não afetam o tratamento ou prognóstico da doença. Entretanto, o câncer de fígado fibrolamelar, um tipo raro, representa menos de 1% dos carcinomas hepatocelulares, e é importante de ser identificado, pois tem um prognóstico melhor. Pacientes com esse tipo de carcinoma hepatocelular são geralmente mulheres com menos de 35 anos.
  • Colangiocarcinoma intra-hepático (Câncer do ducto biliar): de 10 a 20% dos cânceres que se iniciam no fígado são colangiocarcinomas hepáticos. Esses tumores se formam nas células que revestem os ductos biliares (tubos que levam a bile à vesícula biliar).
  • Angiossarcoma e hemangiossarcoma: esses tumores são raros e começam nas células que revestem os vasos sanguíneos do fígado. Pessoas expostas ao cloreto de vinilo, dióxido de tório, arsênico, rádio ou a uma doença hereditária conhecida como hemocromatose são mais propensas a desenvolver esses tipos de tumores. Esses tumores crescem rapidamente e geralmente estão disseminados quando diagnosticados para serem removidos cirurgicamente. A quimioterapia e radioterapia podem ajudar a retardar a doença, mas esses cânceres geralmente são difíceis de serem tratados.
  • Hepatoblastoma: é um tipo muito raro que se desenvolve em crianças, geralmente com menos de 4 anos. As células do hepatoblastoma são similares às células do fígado fetal. Cerca de 2/3 das crianças com hepatoblastoma são tratadas com sucesso com cirurgia e quimioterapia, embora sejam tumores mais difíceis de serem tratados, se estão disseminados além do fígado.

Fatores de Risco:

O tabagismo e a poluição ambiental da fumaça do tabaco influenciam no risco de desenvolvimento do câncer de fígado em geral. Em relação aos tipos, outros fatores de risco são:

Hepatocarcinoma: onde cerca de 50% dos pacientes com hepatocarcinoma apresentam cirrose hepática, que está associada ao alcoolismo ou à hepatite crônica. O causador predominante da hepatite crônica é a infecção pelo vírus da hepatite B ou C, também relacionados ao desenvolvimento do câncer de fígado. Em áreas endêmicas, a esquistossomose (doença conhecida por barriga d’água é considerada um fator de risco. Atenção especial deve ser dada a ingestão de grãos e cereais. Quando armazenados em locais inadequados e úmidos, esses alimentos podem ser contaminados pelo fungo aspergillus flavus, que produz a aflatoxina, que é uma substância cancerígena.

Outro fator de risco importante é o excesso de gordura corporal. As pessoas que trabalham na assistência e serviços gerais em estabelecimentos de saúde, mecânicos de veículos a motor, agricultores e trabalhadores da indústria de plásticos podem apresentar risco aumentado de desenvolvimento da doença devido á exposição a arsênio, cloreto de vinila, solventes, fumos de solda e bifenil policlorado.

Colangiocarcinoma: está relacionado com inflamações das vias biliares, principalmente com a cloroquinase – infestação pelo verme clonorchis sinensis, bastante frequente nos países asiáticos e africanos – entre outros fatores, alguns desconhecidos.

Angiossarcoma: o potencial carcinogênico de substâncias químicas como cloreto de vinil, arsenicais inorgânicos e a solução de dióxido de tório 9que podem ser encontradas nos agrotóxicos e no amendoim mal estocado) está associado a este tipo de câncer de fígado.

Prevenção

No caso dos tumores primários do fígado, a prevenção está em:

  • Evitar o contágio pelos vírus das hepatites B e C.
  • Prevenir doenças metabólicas, como a esteatose 9acúmulo de gordura no fígado) e diabetes.
  • Evitar o consumo de álcool.
  • Nunca usar esteróides anabolizantes (bombas).
  • Evitar lesões pré-malignas como os adenomas de fígado, muitos relacionados ao uso de anticoncepcionais orais.
  • Manter o peso corporal adequado.
  • Não consumir alimentos contaminados por aflatoxina, substância produzida por dois tipos de fungos (bolores) encontrados em grãos e alguns vegetais, especialmente amendoim, milho e mandioca, se armazenados em condições inadequadas.
  • Não fumar e evitar o tabagismo passivo (inalação da fumaça de produtos derivados do tabaco por pessoas não fumantes que convivem com fumantes em ambientes fechados).

Sinais e Sintomas:

Os sintomas mais comuns que podem surgir no câncer do fígado, incluem:

Dor na barriga, especialmente no lado direito do abdômen;

  • Inchaço da barriga;
  • Perda de peso sem causa aparente;
  • Perda do apetite;
  • Cansaço excessivo;
  • Pele e olhos amarelados;
  • Enjoos constantes.

Infelizmente estes sintomas normalmente surgem quando o câncer já está bem desenvolvido e, por isso, na maioria dos casos, o câncer de fígado pode ser descoberto numa fase avançada, o que diminui as suas chances de cura.

Assim, quando existem fatores de risco, como consumo excessivo de álcool ou doenças no fígado, é importante fazer consultas regulares no hepatologista para avaliar frequentemente o fígado e observar alterações que possam surgir.

Diagnóstico

Devido ao curto tempo de evolução do hepatocarcinoma, geralmente o tumor se encontra avançado quando é feito o diagnóstico. O tempo de duplicação do volume de massa é de, em média, quatro meses. Alguns exames ajudam na confirmação do diagnóstico, como:

Tomografia computadorizada: onde ocorre a produção de imagens como se fosse um corte do corpo e serve para descobrir e localizar os tumores.

Ressonância Magnética: não apresenta grande diferença em relação à tomografia computadorizada no que se refere à capacidade de identificar os tumores hepáticos primários ou metastáticos, mas não utiliza raio X. esse exame pode definir um pouco melhor a extensão do tumor nos pacientes com cirrose hepática.

Laparoscopia (investigação direta do interior do abdômen): permite a visualização direta do órgão e a biópsia (remoção de uma pequena quantidade de tecido para análise laboratorial que vai determinar se o tumor é maligno ou não). É mais eficaz quando associado à ultrassonografia videolaparoscópica.

Tratamento

A remoção cirúrgica (ressecção) do câncer é o tratamento mais indicado quando o tumor está restrito a uma parte do fígado (tumor primário) e também nos tumores hepáticos metastáticos em que a lesão primária foi ressecada ou é passível de ser ressecada de maneira curativa.

Referências

Instituto Nacional do Câncer Tipos de câncer. Câncer de Fígado. Disponível em:  https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-figado  Acesso em: 21/06/2021.

Tua Saúde. O que é o câncer de Figado, principais sintomas e tratamentos. Disponível em: https://www.tuasaude.com/cancer-no-figado/  Acesso em: 21/06/2021.

Instituto Vencer o Câncer Tipos de Câncer. Câncer de Fígado. Disponível em: https://vencerocancer.org.br/tipos-de-cancer/cancer-de-figado-tipos-de-cancer/cancer-de-figado-tratamento/  Acesso em: 21/06/2021.

Instituto Oncoguia. Tipos de Câncer. Câncer de Fígado. Disponível em: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/tratamentos/666/133/ Acesso em: 21/06/2021. 

Mitos e Verdades

Verdade: Infecções virais como as hepatites B e C, se estiverem em atividade, podem se tornar fatores de risco para a forma mais comum de câncer de fígado, o hepatocarcinoma. A cirrose, outra doença que pode atingir o órgão, também pode ser relacionada às hepatites, além de predispor ao desenvolvimento de tumores no fígado.

Verdade: Devido à extensão de alguns tumores, é necessária a retirada parcial do fígado. Após o procedimento, o órgão cresce para reocupar o espaço e também todas as suas funções. Mas essa “regeneração” só é possível se, após a cirurgia, reste pelo menos metade do fígado.

MITO: Outra grande crendice a respeito da saúde do fígado. Em geral, o açúcar se transforma em gordura, o que em excesso pode sobrecarregar o órgão.

PERCIALMENTE: Enjoos são sinais de diferentes problemas. Desde sinais de infecções até alterações intestinais. Um dos órgãos mais atingidos é o fígado.

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