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Câncer de Boca e Orofarínge

O câncer da boca (também conhecido como câncer de lábio e cavidade oral) é um tipo de tumor maligno que afeta lábios, estruturas da boca, como gengivas, bochechas, céu da boca, língua (principalmente as bordas) e a região embaixo da língua e geralmente diagnosticado por dentistas. É mais comum em homens acima dos 40 anos, sendo o quarto tumor mais frequente no sexo masculino na região Sudeste do Brasil. A maioria dos casos é diagnosticada em estágios avançados e, um fator importante para a doença é a má higiene bucal e o tabagismo.
A parte posterior da língua, as amígdalas e o palato fibroso fazem parte da região chamada orofaringe e seus tumores têm comportamento diferente do câncer de cavidade oral.

Câncer de Boca e Orofarínge

Estatística

A estimativa para novos casos para o ano de 2020 foi de 15.190 novos casos, sendo 11.180 para homens e 4.010 para mulheres, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). O número de mortes para o período de 2019 foi de 6.605 mortes, sendo 5.120 homens e 1.485 mulheres.

Tipos

Vários tipos de câncer podem começar na boca ou na orofaringe, como:

  • Carcinoma de células escamosas: 90% dos cânceres da cavidade oral e da orofaringe são carcinomas de células escamosas. Esses cânceres começam nas células planas, que normalmente formam o revestimento da boca e da garganta. O estágio inicial do câncer de células escamosas é denominado carcinoma in situ, isto é, as células cancerosas estão presentes apenas no epitélio (superfície). Isto é diferente de um carcinoma de células invasivas, onde as células cancerígenas se desenvolvem nas camadas mais profundas da cavidade oral ou orofaringe.
  • Carcinoma verrucoso: O carcinoma verrucoso é um tipo de carcinoma de células escamosas que representa menos de 55 de todos os cânceres orais. É um câncer de crescimento lento que raramente dissemina para outras partes do corpo, mas pode invadir camadas profundas do tecido adjacente.
  • Carcinoma de glândulas salivares:  O Câncer de glândulas salivares pode se desenvolver nas glândulas da mucosa da boca e perto da garganta. Existem vários tipos de câncer de glândulas salivares, incluindo carcinoma adenóide cístico, carcinoma mucoepidermóide e adenocarcinoma polimorfo de baixo grau.
  • Linfomas: as amígdalas e a base da língua pertencem ao sistema imunológico (linfóide). Os cânceres que se iniciam nessa região são denominados linfomas.

Fatores de Risco:

Dentre os fatores de risco temos:

  • Tabagismo: quem fuma cigarro ou utiliza outros produtos derivados do tabaco, como cigarro de palha, de Bali, de cravo ou kreteks, fumo de rolo, tabaco mascado, charutos, cachimbos e nerguilé, entre outros, têm risco muito maior de desenvolver câncer de boca e de faringe do que os não fumantes. Quanto maior o número de cigarros fumados, maior o risco de câncer.
  • Consumo regular de bebidas alcoólicas.
  • Exposição ao sol sem proteção representa risco importante para o cãncer de lábios.
  • Excesso de gordura corporal aumenta o risco de câncer de boca.
  • Exposição a óleo de corte, amianto, poeira de madeira, poeira de couro, poeira de cimento, de cereais, têxtil e couro, formaldeído, sílica, fuligem de carvão, solventes orgânicos e agrotóxicos está associada ao desenvolvimento de câncer de boca. Os trabalhadores da agricultura e criação de animais, indústria têxtil, de couro, metalúrgica, borracha, construção civil, oficina mecânica, fundição, mineração de carvão, assim como profissionais cabelereiros, carpinteiros, encanadores, instaladores de carpetes, moldadores e modeladores de vidro, oleiros, açougueiros, barbeiros, mineiros, canteiros, pintores e mecânicos de automóveis podem apresentar risco aumentado de desenvolvimento da doença.
  • Infecção pelo vírus HPV está relacionado a alguns tipos de câncer de orofaringe.

Prevenção

Para prevenir o câncer de boca é recomendado evitar todos os fatores de risco, e ter bons hábitos de higiene oral. Para isso é necessário:

  • Escovar os dentes pelo menos 2 vezes por dia, com escova de dentes e creme dental com flúor;
  • Comer alimentos saudáveis, como frutas, legumes e cereais, evitando comer carnes e alimentos processados diariamente; 
  • Usar camisinha em todas as relações sexuais, até mesmo no sexo oral, para evitar a contaminação com o HPV;
  • Não fumar e não ficar muito exposto à fumaça do cigarro;
  • Beber bebidas alcoólicas de forma moderada;
  • Usar batom ou bálsamo labial com fator de proteção solar, principalmente se trabalhar exposto ao sol. 

Além disso, é recomendado tratar precocemente qualquer alteração nos dentes, e seguir todas as orientações do dentista, sendo importante ainda não usar prótese dentária ou aparelho ortodôntico móvel de outra pessoa, porque eles podem causar áreas de maior pressão, que comprometem a mucosa oral, facilitando a entrada de substâncias nocivas.

Sinais e Sintomas:

Os principais sinais que devem ser observados são:

  • Ferida na boca que não cicatriza (sintoma mais comum)
  • Dor na boca que não passa (também muito comum, mas em fases mais tardias)
  • Nódulo persistente ou espessamento na bochecha
  • Área avermelhada ou esbranquiçada em qualquer local da boca
  • Irritação na garganta ou sensação de que alguma coisa está presa ou entalada
  • Dificuldade para mastigar ou engolir
  • Dificuldade para mover a mandíbula ou a língua
  • Dormência da língua ou outra área da boca
  • Inchaço da mandíbula que faz com que a dentadura ou prótese perca o encaixe ou incomode
  • Mudanças na voz
  • Nódulos ou gânglios aumentados no pescoço
  • Perda de peso
  • Mau hálito persistente

Diagnóstico

O diagnóstico do câncer de cavidade oral normalmente pode ser feito com o exame clínico (visual), mas a confirmação depende da biópsia. Esse procedimento geralmente pode ser realizado de forma ambulatorial, com anestesia local, por um profissional treinado. Alguns exames de imagem, como a tomografia computadorizada, também auxiliam no diagnóstico e, principalmente, ajudam a avaliar a extensão do tumor. O exame clínico associado à biopsia, com o estudo da lesão por tomografia (nos casos indicados) permitem definir o tratamento adequado. As lesões muito iniciais podem ser avaliadas sem a necessidade de exames de imagens. O diagnóstico inicial permite tratamento com melhor resultado funcional, visto que tumores diagnosticados em estágios avançados vão implicar em tratamentos mais agressivos com maior chance de sequelas.

Tratamento

As principais opções de tratamento para o câncer de boca e orofaringe são: cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia alvo, imunoterapia e tratamento paliativo, que podem ser realizados isoladamente ou em combinação, dependendo do estágio e da localização do tumor. Em geral, a cirurgia é o primeiro tratamento para o câncer de boca e pode ser seguido por radioterapia ou quimioterapia, que podem ser administrados de forma isolada ou combinadas.

É importante discutir todas as opções de tratamento, incluindo metas e possíveis efeitos colaterais. Alguns itens devem ser considerados, como a idade e expectativa de vida, assim como outras condições de saúde, o estadiamento da doença, ou se a cirurgia poderá (ou não) retirar todo o tumor e, a probabilidade de cura.

Referências

Instituto Nacional do Câncer Tipos de câncer. Câncer de Boca. Disponível em:  https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-boca  Acesso em: 16/06/2021.

Tua Saúde. Câncer de Boca: o que é, sintomas, causas e tratamento. Disponível em: https://www.tuasaude.com/sintomas-do-cancer-de-boca/  Acesso em: 16/06/2021.

9 Fatores que podem contribuir para o câncer de boca. AC Camargo Câncer Center. Disponível em: https://www.accamargo.org.br/sobre-o-cancer/noticias/9-fatores-que-podem-contribuir-para-o-cancer-de-boca   Acesso em: 16/06/2021.

Instituto Oncoguia. Tratamentos do Câncer de Boca e Orofaringe. Disponível em: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/tratamentos/763/175/ Acesso em: 16/06/2021.

Mitos e Verdades

Verdade:  São os grandes responsáveis pela maioria das lesões malignas de boca, incluindo lábios e orofaringe, especialmente quando associados. O álcool associado ao fumo aumenta o risco em 5 vezes para câncer nessa região. Quanto mais prolongado e intenso for o uso de álcool e fumo, maior o risco.

Verdade: Estudos associam o uso frequente e em longo prazo de enxaguantes bucais que possuem álcool em sua fórmula com o aumento da incidência do câncer de boca. Pessoas que usam diariamente e por um extenso período esse tipo de produto têm de três a quatro vezes mais risco de desenvolver câncer de boca comparado a quem não tem esse hábito.

Mito: A utilização de próteses dentárias não provoca câncer. Porém, caso esteja solta e machuque continuamente a boca, pode causar um traumatismo crônico. Esta lesão apresenta possibilidade de se desenvolver para um câncer. 

Mito: A boca deve ser higienizada corretamente, pois, de acordo com algumas pesquisas, a gengivite crônica pode acumular bactérias com potencial carcinogênico. No entanto, não há ligação entre cáries e câncer.

Depende: A prática de sexo oral propriamente dita não está associada ao desenvolvimento de câncer de boca. Porém esta prática sem proteção pode causar infecção oral pelo papilomavírus humano (HPV), que por sua vez é fator causal para câncer de faringe e de boca. Portanto a vacina para HPV e o sexo oral com proteção são fatores importantes na prevenção do câncer de cabeça e pescoço.

Verdade: Ingerir diariamente carne vermelha em grandes quantidades pode predispor a um tumor na boca ou garganta, principalmente quando preparada em churrasqueiras, uma vez que o carvão utilizado contém elementos carcinogênicos. O consumo ideal de carne vermelha é de 2 a 3 vezes por semana e recomenda-se variar a forma de preparo.

Verdade: Uma dieta com predominância de frutas cítricas e vegetais verdes, por exemplo, pode ajudar na prevenção de diversos tipos de câncer, como os de cabeça e pescoço. Bebidas naturais, como chá verde, açafrão e própolis, também podem ser importantes fatores de proteção contra esses tumores, devido à presença de antioxidantes, componentes capazes de evitar a formação de lesões e tumores nas células.

Verdade: Trata-se de uma doença com caráter assintomático em seus primeiros estágios, confundida com uma série de enfermidades comuns, como gripe ou faringite. Muitos pacientes demoram a consultar um especialista por tentar justificar os próprios sintomas, mesmo que persistam por bastante tempo. Essa situação dificulta o diagnóstico precoce – que proporciona grandes chances de sucesso no tratamento. Portanto, é preciso um cuidado especial com feridas na boca, rouquidão ou inflamações que durem mais de 1 mês sem apresentar quadros de melhora.

Mito: Atualmente, há métodos que permitem ao paciente laringectomizado a oportunidade de novamente se comunicar pela voz. A prótese traqueosofágica possibilita a fala para 90% dos operados e traz bons resultados na qualidade do som e tempo de fonação. Alternativas como a eletrolaringe e a voz esofágica, técnica que utiliza o esôfago para a produção de som, também são oferecidas ao paciente, permitindo maiores chances de sucesso na reabilitação pós-cirúrgica.

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