COC – Centro de Oncologia Campinas

Câncer de Bexiga

O câncer de bexiga é o décimo tipo de câncer com maior incidência no mundo, é um tipo de tumor caracterizado pelo crescimento de células malignas na parede da bexiga, o que pode acontecer devido ao tabagismo ou à exposição constante a produtos químicos como corantes, pesticidas ou arsênico, por exemplo, pois essas substâncias são eliminadas através da urina, que é concentrada na bexiga antes de ser eliminada, podendo provocar alterações. O câncer de bexiga mais comum é o carcinoma urotelial, que afeta o tecido interior da bexiga, representando mais de 90% dos casos da doença, geralmente aparecendo como um tumor superficial e tende a se manter na mucosa e submucosa do órgão.

Câncer de Bexiga

Estatística

A estimativa para novos casos para o ano de 2020 foi de 10.640 novos casos, sendo7.590 para homens e 3.050 para mulheres. Foi estimado um total de 4.517 mortes para o ano de 2019, sendo 3.115 para homens e 1.402 para mulheres.

Tipos

Os principais tipos de tumores de bexiga, são:

  • Carcinoma urotelial (carcinoma de células transicionais): é também conhecido como carcinoma de células de transição, é o tipo mais comum de câncer de bexiga. Esses canceres se originam nas células uroteliais que limitam o interior da bexiga. As células uroteliais também limitam outras partes do trato urinário, como parte do rim, ureteres e uretra.

Outros tipos de canceres de bexiga podem se originar, mas são muito menos frequentes do que o câncer de células transicionais, como:

  • Carcinoma espinocelular: de 1 a 2% dos cânceres de bexiga são carcinomas espinocelulares. Quando vistos sob um microscópio, suas células parecem com as células planas encontradas na superfície da pele. Quase todos os carcinomas espinocelulares da bexiga são invasivos.
  • Adenocarcinomas: apenas 1% dos cânceres de bexiga são adenocarcinomas e quase todos são invasivos.
  • Carcinoma de pequenas células: menos de 1% dos cânceres de bexiga são carcinomas de pequenas células e começam nas células neuroendócrinas. Esses canceres são tipicamente tratados com quimioterapia, assim como é o caso do carcinoma de pequenas células do pulmão.
  • Sarcomas: os sarcomas se iniciam nas células do músculo da bexiga, mas são mais raros.

Os cânceres de bexiga são descritos com base em duas características importantes para determinar seu prognóstico, o estadiamento e se é ou não invasivo.

  • Não invasivos: Encontram-se ainda na camada interna de células (epitélio transicional), mas não invadiram camadas mais profundas.
  • Invasivos: crescem na lâmina própria ou na camada muscular mais profunda. Canceres invasivos são mais propensos a se disseminarem e são mais difíceis de serem tratados.

O câncer de bexiga também pode ser descrito como superficial ou invasivo não muscular. Esses termos incluem tanto os tumores não invasivos, bem como quaisquer tumores invasivos que não se desenvolvem na camada muscular da bexiga.

Os cânceres de bexiga também são divididos em dois subtipos:

  • Carcinomas papilares: geralmente crescem em direção ao centro da bexiga e são denominados cânceres de bexiga papilares não invasivos.
  • Carcinomas planos: desenvolvem-se apenas na camada interna de células da bexiga, são conhecidos como carcinomas planos não invasivos ou carcinomas planos in situ.

Se um tumor papilar ou plano se desenvolve nas camadas mais profundas da bexiga, é denominado carcinoma de células transicionais invasivo.

Fatores de Risco:

Os principais fatores de risco para o câncer de bexiga são:

  • Idade e raça: os homens brancos e de idade avançada são o grupo com maior probabilidade de desenvolver esse tipo de câncer.
  • Tabagismo: pode aumentar o risco de uma pessoa desenvolver o câncer de bexiga e está associado à doença em 50 -70% dos casos.
  • A exposição a diversos compostos químicos, como aminas aromáticas, azocorantes, benzeno, benzidina, cromo/cromatos, fumo e poeira de metais, agrotóxico, HPA, óleos, petróleos, droga antineoplásica, tintas, 2 – naftalina e 4-aminobifenil. Os trabalhadores da agricultura, construção, fundição, extração de óleos e gorduras animais e vegetais, sapatos, manufatura de eletroeletrônicos, mineração, siderurgia, indústria têxtil, de alimentos, alumínio, borracha e plásticos, sintéticos, tinturas, corantes, couro, gráfica de metais, petróleo, química e farmacêutica, tabaco, cabeleireiros e barbeiros, maquinistas, motoristas de caminhão e de locomotiva, pintor, trabalhador de ferrovias, trabalho no forno de coque e tecelão podem apresentar risco aumentado de desenvolvimento da doença.

Prevenção

Não fumar e evitar o tabagismo passivo. O tabagismo passivo consiste na inalação da fumaça de produtos derivados do tabaco por não fumantes que convivem com fumantes em ambientes fechados, além de não se expor aos derivados do petróleo, como por exemplo as tintas.

Sinais e Sintomas:

Os sinais e sintomas de câncer na bexiga são progressivos e podem ser confundidos com outras doenças do sistema urinário, como aumento da vontade para urinar, dor na região inferior da barriga, cansaço excessivo e perda de peso sem razão aparente. É importante que o diagnóstico seja feito assim que sejam identificados os primeiros sintomas, pois dessa forma é possível iniciar o tratamento mais adequado, além de evitar complicações e aumentar a chance de cura.

Diagnóstico

O câncer de bexiga é geralmente diagnosticado devido os sinais ou sintomas que uma pessoa está apresentando ou por resultados de exames realizados por outros motivos clínicos. Se houver suspeita de câncer de bexiga, será necessária a realização de exames complementares para confirmar o diagnóstico.

Histórico clínico e exame físico, onde será questionado em consulta o histórico clínico completo, incluindo informações sobre os sintomas apresentados, possíveis fatores de risco, histórico familiar, e outras condições clínicas.

Caso os sinais e sintomas apresentados sugerirem que o paciente possa ter câncer de bexiga, serão solicitados exames de imagem e citoscopia, de laboratório e biópsias, para confirmação diagnóstica e estadiamento da doença.

Tratamento

As opções de tratamento vão depender do grau de evolução da doença. A cirurgia pode ser de três tipos: ressecção transurretal (quando o médico remove o tumor por via uretral), cistotectomia parcial (retirada de uma parte da bexiga) ou citotectomia radical (remoção completa da bexiga, com a posterior construção de um novo órgão para armazenar a urina). Após a remoção total do tumor, pode ser possível administrar a vacina BCG dentro da bexiga para tentar evitar a recorrência da doença.

Outra alternativa é a radioterapia, que pode ser adotada nos tumores mais agressivos como técnica para tentar preservar a bexiga. A quimioterapia também pode ser sistêmica (ingerida na forma de medicamentos ou injetada na veia) ou intravesical (aplicada diretamente na bexiga através de um tubo introduzido na uretra).

Referências

Instituto Nacional do Câncer Tipos de câncer. Câncer de Bexiga. Disponível em:  https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-bexiga  Acesso em: 17/06/2021.

Tua Saúde. Sinais e Sintomas do Câncer de Bexiga. Disponível em: https://www.tuasaude.com/cancer-de-bexiga/  Acesso em: 17/06/2021.

Instituto Vencer o Câncer Tipos de Câncer. Câncer de Bexiga. Disponível em: https://vencerocancer.org.br/tipos-de-cancer/cancer-de-bexiga-tipos-de-cancer/cancer-de-bexiga-tratamento/ Acesso em: 17/06/2021.

Pfizer. Câncer de Bexiga. Disponível em: https://www.pfizer.com.br/sua-saude/cancer-de-bexiga Acesso em: 17/06/2021.

Instituto Oncoguia. Tipos de Câncer. Câncer de Bexiga. Disponível em: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/diagnostico/657/120/  Acesso em: 17/06/2021.

Mitos e Verdades

Mito: As alterações do controle do trato urinário costumam ocorrer nos tipos de câncer de próstata ou de bexiga (quando há a cirurgia para remoção desse órgãos ou cirurgias repetidas neles. A associação entre cirurgia e radioterapia pode aumentar os riscos da perda urinária involuntária).

De qualquer forma, o descontrole total da urina para ir ao banheiro é raro, ocorrendo em uma minorias das intervenções cirúrgicas em pacientes com câncer urológico. Vale ressaltar que hoje em dia a medicina usa de recursos tecnológicos (como a cirurgia robótica minimamente invasiva, radioterapia modernas, cirurgias endoscópicas, ablações térmicas etc) que contribuem para que o paciente tenha maior qualidade de vida.

Para os casos em que há incontinência, o problema pode ser facilmente tratado com medicamentos ou fisioterapia local.

Os casos mais graves podem ser resolvidos com cirurgia.

Mito: A idade do paciente não é fator determinante para uma possível incontinência urinária após o tratamento oncológico. Alguns pacientes mais jovens podem se beneficiar de uma recuperação mais rápida, mas em geral não existe associação científica entre paciente jovem e descontrole do trato urinário.

Entretanto, pessoas mais idosas podem ter doenças neurológicas, ou outras doenças ou terem submetido a cirurgias, ou tomar medicações que podem afetar o controle da urina.

Verdade: Em alguns casos, os pacientes relatam incontinência urinária após a cirurgia contra o câncer (próstata principalmente), mas que gradualmente melhora, conforme o quadro de saúde do paciente.

Existe tratamento para todo tipo de incontinência urinária, que pode ser tratada com medicação, fisioterapia ou, em alguns casos, cirurgia. A maioria dos pacientes retoma normalmente a rotina.

Conteúdos Relacionados