Saúde mental: todo cuidado conta!

Saúde mental: todo cuidado conta!

No momento em que o mundo enfrenta a pandemia provocada pelo novo coronavírus, institutos de saúde chamam a atenção para a importância de cuidar da saúde mental e aderem à campanha Janeiro Branco.

Iniciada em 2014, a ação do Janeiro Branco acontece anualmente para conscientizar não só os profissionais e institutos de saúde, mas autoridades governamentais e legislativas e toda a sociedade a respeito do tema.

“Por simbolizar a reflexão e o início de novos projetos de vida, o primeiro mês do ano foi escolhido como data para a campanha Janeiro Branco, lançada com objetivo de despertar a atenção das pessoas sobre as questões e necessidades ligadas à saúde mental e emocional”, explica Ana Luiza Nobile Cassiani, psicóloga no Centro de Oncologia Campinas.

Em 2021, o Janeiro Branco, que está em sua 8ª edição, adota o tema “Todo Cuidado Conta”, voltando-se também para as complicações da situação de pandemia na saúde mental da população e para a necessidade de se olhar com carinho para o tema.

O Organização das Nações Unidas (ONU), inclusive, por meio da Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta a necessidade urgente dos governos e lideranças dos países aumentarem os investimentos em serviços de saúde mental durante a pandemia de covid-19.

“Em um momento de pandemia, quando tantas mudanças são impostas em razão da necessidade de isolamento social, a saúde mental é alicerce na tarefa de nos reinventarmos e nos adaptarmos à atual realidade”, afirma Ana Luiza.

Realidade da saúde mental dos brasileiros

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o segundo país americano com maior número de pessoas com depressão, atrás apenas dos Estados Unidos. Pesquisas mostram que 5,8% dos brasileiros sofrem com a doença, que afeta 4,4% da população mundial.

O Brasil, ainda, é o país com maior predomínio de ansiedade do mundo: a taxa chega a 9,3% de sua população. Contudo, devido à situação de pandemia, esses índices tornam-se maiores.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) aponta que a prevalência de pessoas com estresse agudo saltou de 6,9% da primeira análise, feita em março de 2020, para 14,7% na sondagem realizada em junho do mesmo ano. Já em relação à depressão, os números foram de 4,2% a 6,6%, mas chegaram a 8% em uma análise intermediária no mês de abril.

Para ansiedade aguda, a pesquisa da UERJ aponta que o número saltou de 8,7% na primeira análise para 15% na sondagem realizada em junho.

Grupos populacionais específicos correm um risco particular de sofrimento psicológico relacionado à covid-19. Os profissionais de saúde da linha de frente, confrontados com cargas de trabalho pesadas, decisões de vida ou morte e risco de infecção, são particularmente afetados. Durante a pandemia, na China, os profissionais de saúde relataram altas taxas de depressão (50%), ansiedade (45%) e insônia (34%). No Canadá, 47% dos profissionais de saúde relataram a necessidade de suporte psicológico.

De acordo com a psicóloga Ana Luiza, do Centro de Oncologia Campinas, o cuidado com a saúde mental é essencial em situações como a da pandemia, pois “medo, ansiedade e incertezas integram o cotidiano do ser humano em tempos de dificuldade e dependem de estabilidade emocional para serem vencidos”.

Saúde mental dos pacientes deve ser preocupação do atendimento médico

Os profissionais e instituições de saúde devem se atentar a um atendimento que respeite a saúde mental dos pacientes, que já podem estar abalados psicologicamente devido sua situação de saúde.
O atendimento médico que considere a realidade do bem-estar emocional do paciente, reforça Ana Luiza, contribui inclusive com o tratamento, e isso tem sido uma das preocupações do Centro de Oncologia Campinas.

“Para os pacientes oncológicos, zelar pela saúde mental é também contribuir para o processo de tratamento. Por isso, o Centro de Oncologia Campinas busca oferecer formas para que todos consigam cuidar do corpo e da mente, tanto nas etapas de prevenção quanto no diagnóstico, tratamento e pós-tratamento”.