Psico-oncologia acompanha pessoas com câncer em todas as fases da doença

Psico-oncologia acompanha pessoas com câncer em todas as fases da doença

O diagnóstico de câncer impacta a vida do paciente das mais diferentes formas. A doença sugere uma relação de perdas – de cabelo, forma física, disposição e controle da saúde. Dar suporte emocional para minimizar o sofrimento e direcionar esforços ao enfrentamento do novo contexto são algumas das atribuições da psico-oncologia. Setembro Amarelo, campanha dedicada à prevenção ao suicídio, remete também à importância de atenção à saúde mental, incluindo a das pessoas com câncer.

A psico-oncologista Ana Luiza Nobile Cassiani, do Centro de Oncologia Campinas, destaca que o diagnóstico de câncer afeta as pessoas tanto físico quanto emocionalmente, e que ambos os aspectos precisam de cuidados especiais. O apoio durante todos os processos envolvidos na doença possibilitará ao paciente se fortalecer para absorver o tratamento e as etapas envolvidas no processo.

“Quando um paciente é diagnosticado, aquele mundo presumido, o mundo que era conhecido até então, desaparece. Surgem a relação entre o câncer e as perdas e a sensação de que tudo aquilo que estava previsto para a vida está ameaçado. O apoio emocional é fundamental, tanto para dar suporte a questões voltadas ao tratamento quanto para ajudar nas atitudes diante da doença”, detalha Ana Luiza.

O suicídio, lembra a psico-oncologista, é multifatorial, e boa parte dos agentes pode estar presente nos sentimentos e sensações que acompanham o diagnóstico do câncer. “As pessoas começam a pensar na finitude e a questionar ‘por que eu?’, ‘mas eu fiz tudo direito!’. A ideação da vida é ameaçada. É preciso encontrar respostas positivas a esses questionamentos e o olhar apurado, profissional, é capaz de conduzir ao encaminhamento correto”, especifica.

O atendimento ao paciente com câncer, explica Ana Luiza, é psicossocial, envolve a família e pessoas próximas. “É um cuidado integral. A saúde emocional também influencia na resposta ao tratamento, na dinâmica com quem está a sua volta. O câncer é uma questão específica. É abrangente e cercado de incertezas. O paciente precisa desse suporte para expressar seu sentimento e aprender a lidar com o momento”, detalha.

No Centro de Oncologia Campinas, o atendimento psico-oncológico está à disposição em diferentes circunstâncias. O acolhimento é feito imediatamente após o diagnóstico, juntamente com a busca ativa pelos pacientes. “O paciente não precisa necessariamente ir atrás da ajuda. Vamos até ele enquanto realiza sessões de quimioterapia, por exemplo, ou enquanto aguarda atendimento no saguão. É interativo e ocorre em qualquer situação”, conta.

A indicação para atendimento psico-oncológico também ocorre durante as consultas médicas, caso o especialista considere necessário o acompanhamento. “Quando o médico faz a indicação, a resposta é muito positiva, porque o paciente compreende mais rapidamente que esse é um cuidado que se faz necessário naquele momento”, relata Ana Luiza.

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A psico-oncologia

A psico-oncologia é uma especialidade relativamente recente da Psicologia, direcionada ao atendimento de pacientes com câncer. Chegou ao Brasil no final da década de 1980. Em 1994, foi criada a Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia para congregar profissionais e estudantes da área de saúde e áreas afins à Psico-Oncologia.

Dentre as atribuições do profissional estão dar suporte emocional para o paciente expressar seu sofrimento diante do diagnóstico da doença, compreender o momento e lidar da melhor forma com as mudanças e adaptações impostas.

Segundo a SBPO, a assistência do psico-oncologista deve ser disponibilizada em todas as fases do acompanhamento ao paciente, incluindo intervenções relacionadas à prevenção, ao diagnóstico, aos tratamentos, à reabilitação e, quando trata-se de doença sem possibilidade de cura, aos cuidados paliativos e processo de finitude.

Setembro amarelo

A data de 10 de setembro é reservada ao Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. O movimento Setembro Amarelo destaca que são registrados mais de 13 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 1 milhão no mundo. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.

A campanha Setembro Amarelo de prevenção ao suicídio é organizada desde 2014 pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM.