Detecção precoce de hepatites dos tipos B e C é aliada contra o câncer de fígado

Detecção precoce de hepatites dos tipos B e C é aliada contra o câncer de fígado

Cecan de Piracicaba realiza no próximo dia 20 de março ação solidária para combater a doença

As hepatites virais são responsáveis por mais de 1,3 milhão de mortes no mundo anualmente, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, nos últimos 20 anos foram registrados 673.389 casos de hepatites, ocasionadas pelos vírus A (25%), B (36,8%), C (37,6%) e D (0,6%). Doença silenciosa, muitas vezes é descoberta em estágios avançados, após evoluir para cirrose ou câncer. O diagnóstico tardio da hepatite é uma das principais causas do hepatocarcinoma, ou carcinoma hepatocelular, tipo mais comum de câncer de fígado e o terceiro que mais mortes causa no mundo.

O oncologista Fernando Medina, do Centro de Oncologia Campinas, reforça que o tumor primário do fígado ocorre frequentemente na presença de cirrose hepática. “Na África e na Ásia, é grande a incidência de hepatites dos tipos B e C. Não por acaso, a China responde por quase 50% de todos os casos de hepatocarcinoma do mundo”, compara, indicando que a doença afeta sobretudo homens entre 55 e 65 anos de idade. Em uma ação solidária de combate à doença, o Centro do Câncer da Santa Casa de Piracicaba (Cecan) realizará no próximo dia 20 de março o programa Sábado Sem Câncer, que disponibilizará exames gratuitos à população, para detecção e tratamento da hepatite C e do câncer de fígado.

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A sobrevida de pacientes com hepatocarcinoma é de apenas 17% em cinco anos. Prognósticos negativos acompanham uma doença que poderia ser evitada com o diagnóstico precoce da hepatite, por meio de exames laboratoriais de sangue. “O problema é que quando os sintomas aparecem, normalmente a doença está em estágio avançado. É assintomática e em grande parte das vezes detectada acidentalmente antes de apresentar manifestações”, reafirma Medina. De acordo com a OMS, quase um de cada três habitantes do mundo apresenta infecção pelo vírus da hepatite B e um de cada doze possui infecção crônica pelos tipos B e C.

Quando o paciente é diagnosticado com hepatite do tipo B ou C, a recomendação é a realização periódica de exames de rastreamento para o câncer de fígado. “Exames de ultrassom a cada seis meses são necessários para a população que apresenta cirrose hepática ou os tipos B e C de hepatite, que são as causas mais comuns de hepatocarcinoma hoje no mundo”, salienta.

O oncologista lembra que hepatite B é transmitida sexualmente, por transfusão de sangue e compartilhamento de seringas para uso de drogas. A hepatite do tipo C também é transmitida por via sanguínea. “Toda a vez que executamos um rastreamento de câncer primário de fígado, temos de rastrear também as hepatites B e C, por serem transmissíveis”. Dados do Ministério da Saúde apontam a existência de 5 milhões de brasileiros infectados pelos vírus B e C da hepatite.

Apesar de todos os riscos oferecidos pelas doenças, Medina destaca que as hepatites B e C são tratáveis. “O tratamento com antivirais é extremamente eficiente no caso do tipo C, sobretudo quando a doença é diagnosticada no início. No caso do tipo B, o grande aliado é a vacina, que integra o Calendário Nacional de Vacinação e pode ser ministrada a partir do sexto mês de vida”, detalha.

Sábado Sem Câncer

O Centro do Câncer da Santa Casa de Piracicaba (Cecan), braço do Centro de Oncologia Campinas que Fernando Medina ajudou a criar, prepara uma ação solidária para detectar e tratar a hepatite C e o câncer de fígado, o “Sábado sem Câncer“, no próximo dia 20 de março. O atendimento ao público ocorrerá no período das 8 às 16h, nas dependências da Unidade, localizada na Santa Casa, à Avenida Independência, 953. Serão distribuídas 500 senhas conforme ordem de chegada. Todos os protocolos sanitários para evitar os riscos de transmissão da Covid-19 serão adotados.

Embora qualquer pessoa possa participar, o grupo de maior risco para a doença engloba pessoas com idade entre 45 e 65 anos; principalmente quem sofreu transfusão de sangue, fez uso de seringas de vidro, teve ou tem doenças hepáticas e cirrose e os portadores das hepatites B ou C. “Estamos preparados para receber os participantes de mais esta Campanha, respeitando-se todas as normativas de segurança e distanciamento para que o processo transcorra com o mais alto nível de conforto e segurança”, disse o médico oncologista Fernando Medina.

Para dar dinamismo ao atendimento, mais de 50 profissionais, entre médicos, enfermeiros e profissionais de apoio, realizarão o atendimento durante o Sábado sem Câncer. Os participantes passarão por uma consulta inicial para definição do histórico genético e familiar para a doença. Depois, serão submetidos à coleta de sangue para sorologia de hepatite. Pessoas com o vírus da hepatite ou casos da doença na família farão ultrassom abdominal e biópsias para confirmação diagnóstica. Os casos positivos serão encaminhados para acompanhamento e tratamento gratuitos.

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