Prática de Cuidados Paliativos cuida e reduz sofrimento de pacientes terminais e familiares em Juiz de Fora

Prática de Cuidados Paliativos cuida e reduz sofrimento de pacientes terminais e familiares em Juiz de Fora

Neste sábado (12), foi celebrado o Dia Mundial de Cuidados Paliativos, data usada para apoiar esta área da medicina.

O G1 conversou com especialistas e também ouviu histórias de pessoas que fizeram esta opção para amenizar a dor da perda.
Por Telma Elisa, G1 Zona da Mata

Celebrado no sábado (12), o Dia Mundial de Cuidados Paliativos é uma data de ação unificada para comemorar e apoiar esta área da medicina que trabalha para garantir qualidade de vida, respeito e dignidade a pacientes de doenças crônicas e, em muitos casos, em fase terminal.

O trabalho funciona como um tipo de assistência ativa e integral, prestada por uma equipe multidisciplinar, a pacientes com doenças graves, incuráveis, progressivas e que ameaçam a continuidade da vida.

A descoberta de uma doença sem possibilidade curativa é uma situação de difícil aceitação, afinal nunca se está preparado para morrer.

O assunto abordado pela novela “Bom Sucesso” da TV Globo, através do personagem do ator Antônio Fagundes, aguça a curiosidade de alguns e afasta a atenção de muitos outros, porque é grande o número de pessoas que confundem o verdadeiro conceito da Medicina de Cuidados Paliativos (CP).

Nas últimas três décadas, este tipo de cuidado vem ganhando cada vez mais atenção, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que o considera como um direito humano.
Perguntas do tipo “você quer ser mantido na UTI ou ser levado para um quarto e ter visitas liberadas? Que roupa quer vestir? Haverá velório? Enterro ou cremação? Deseja alguma celebração especial? Quer deixar uma mensagem para ser lembrado?” são impensáveis para muitos de nós, mesmo com a única certeza que se tem: a morte chega para todos.

Mas são também estas mesmas indagações que, somadas a muitas outras orientações, compõem a rotina de trabalho da equipe de Cuidados Paliativos, durante a assistência de um paciente na fronteira entre a vida e a morte.

Depois de acompanhar a mãe, ao longo de 19 meses de luta contra um câncer de pulmão, a empresária Cristiane Côrtes Masiero compreendeu a importância deste serviço médico que nunca pensou que faria uso.

“Eu sou filha única. Larguei marido, filha, trabalho para viver com a minha mãe nesta fase difícil, queríamos passar juntas por tudo que a vida nos reservava. Fui tão acolhida quanto ela. O momento da separação chegou de uma forma mais humana. Recebi o apoio necessário para lidar com esse rompimento. Ainda dói, mas sei que tudo que poderia ser feito para que ela partisse dessa vida de uma forma tranquila foi feito. Ficaram só o amor e a saudade”.

Nunca se está pronto para morrer
De acordo com a enfermeira Roberta Benini, que trabalha numa unidade de monitoramento de pacientes crônicos e que também atua na prática da medicina paliativa, nem o paciente e nem a família estão prontos para enfrentar essa situação, porque o processo de adoecimento terminal dificilmente é algo tranquilo.

“Ele se faz em meio a uma série de fatores como internações, exames, maior carga de medicações, cirurgias. E traz consigo, além dos sintomas físicos, questões mais profundas de ordem social, psicológica e espiritual”, explicou.

Segundo ela, a proposta é fazer com que o olhar não foque na doença, mas sim na pessoa. “Trabalhamos focados na busca pela dignidade que o paciente merece ter até o fim de seus dias. O objetivo não é prolongar a vida a qualquer custo, mas aliviar os sintomas de sofrimento e melhorar a qualidade de vida do paciente, assim como de sua família,” reforçou a enfermeira.

Fonte: G1